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França suspende utilização de granadas de efeito atordoante

França suspende utilização de granadas de efeito atordoante contra estudantes
França suspende utilização de granadas de efeito atordoante contra estudantes Imagens: DR

Redacção

Publicado às 19h08 07/10/2026

Paris — O Governo francês decidiu suspender a utilização de granadas de efeito atordoante durante as operações policiais contra os protestos estudantis, depois de um adolescente de 15 anos ter ficado gravemente ferido num confronto com agentes policiais.

A decisão foi anunciada pelo ministro do Interior, Laurent Nuñez, que determinou a suspensão enquanto decorrem investigações destinadas a esclarecer as circunstâncias do incidente ocorrido na cidade de Lens.

Os protestos estudantis prolongam-se há mais de duas semanas e espalharam-se por várias regiões de França. Mais de 500 escolas estiveram encerradas na sequência das manifestações e dos confrontos registados em diferentes cidades.

Os estudantes reivindicam melhores condições de ensino, redução do número de alunos por turma, reforço do número de professores e investimentos na recuperação de edifícios escolares considerados degradados.

As manifestações ganharam força depois de vários episódios de confronto entre estudantes e forças policiais. Organizações de defesa dos direitos humanos, sindicatos e sectores da oposição acusaram as autoridades de recorrerem a métodos desproporcionais para controlar os protestos.

O Governo, por seu lado, reconheceu que existem reivindicações legítimas no sector da educação, mas denunciou actos de vandalismo e incêndios em estabelecimentos de ensino. Pelo menos 24 escolas secundárias sofreram danos que poderão obrigar ao seu encerramento durante várias semanas.

O ministro da Educação, Édouard Geffray, estimou entre 20 e 30 milhões de euros o custo necessário para reparar os danos provocados em escolas afectadas por incêndios ou actos de vandalismo.

A mobilização estudantil ultrapassou as fronteiras francesas. Movimentos semelhantes e greves de professores foram registados na Bélgica, em Portugal e em Espanha, num contexto europeu marcado por pressões sobre os orçamentos públicos e pela deterioração das condições laborais.

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