Trump critica Zelensky e defende uma nova liderança para a Ucrânia
Washington — O Presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump, afirmou este sábado que a Ucrânia deve escolher um novo Presidente, acusando Volodymyr Zelensky de não ter aproveitado as oportunidades para alcançar um acordo que ponha fim à guerra com a Rússia.
Segundo a Associated Press, Trump fez as declarações perante jornalistas na Casa Branca, defendendo que o país precisa de uma nova liderança capaz de negociar um entendimento com Moscovo.
O dirigente norte-americano declarou que Zelensky poderia ter alcançado um acordo em várias ocasiões, mas, na sua perspectiva, não o fez. Trump acrescentou que, se tivesse ocupado a Presidência dos Estados Unidos em 2022, a guerra entre a Rússia e a Ucrânia não teria começado.
As declarações surgem um dia depois de Trump ter anunciado um entendimento com o Presidente russo, Vladimir Putin, para permitir o fornecimento de grandes quantidades de gasóleo russo aos mercados norte-americano e internacional, numa tentativa de reduzir os preços dos combustíveis.
O acordo prevê, segundo informações divulgadas pelo próprio Presidente norte-americano, o fornecimento inicial de mais de 300 mil toneladas de gasóleo, seguido de outras 500 mil toneladas durante Novembro.
O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou igualmente uma autorização temporária para permitir a comercialização do combustível russo, apesar das sanções anteriormente impostas.
Trump criticou ainda os ataques ucranianos contra refinarias e outras infra-estruturas energéticas russas, argumentando que estas operações agravam os problemas de abastecimento de combustível e afectam sectores económicos norte-americanos, nomeadamente a agricultura.
Por sua vez, Volodymyr Zelensky criticou o entendimento entre Washington e Moscovo, considerando que o alívio das sanções poderá proporcionar à Rússia recursos financeiros adicionais para continuar a guerra. O Presidente ucraniano defendeu que a redução da pressão económica sobre Moscovo poderá incentivar a continuação dos bombardeamentos contra cidades e infra-estruturas ucranianas.
A controvérsia intensificou-se depois de ataques russos contra a cidade de Zaporizhzhia, no sudeste da Ucrânia, terem provocado a morte de pelo menos 20 pessoas, incluindo 3 crianças, segundo as autoridades ucranianas. Outras 18 pessoas ficaram feridas, enquanto as equipas de emergência prosseguiam os trabalhos de socorro.
A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, manifestou oposição ao alívio das sanções sobre as exportações russas, defendendo que não é o momento adequado para reduzir a pressão sobre Moscovo. A Alemanha também reiterou a intenção de continuar a defender novas medidas restritivas contra a Rússia no âmbito da União Europeia.
As declarações de Trump representam uma nova divergência pública entre Washington e Kiev, numa altura em que representantes norte-americanos, ucranianos e europeus procuram definir condições para uma solução negociada para o conflito.