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TPI recebe apoio de oito países face às sanções dos EUA

TPI recebe apoio de oito países face às sanções dos EUA
TPI recebe apoio de oito países face às sanções dos EUA Imagens: DR

Redacção

Publicado às 20h13 10/10/2026

Haia - Oito países, entre os quais o Canadá, a Dinamarca, a Alemanha, a França, a Itália, o Japão, os Países Baixos e o Reino Unido, reafirmaram o seu apoio à independência, imparcialidade e integridade do Tribunal Penal Internacional (TPI), manifestando oposição às sanções anunciadas pelos Estados Unidos contra a instituição.

A posição foi expressa numa declaração conjunta divulgada a 9 de Outubro, na sequência da decisão da administração do Presidente norte-americano, Donald Trump, de impor novas sanções ao tribunal, sediado em Haia, nos Países Baixos.

Na declaração, os ministros dos Negócios Estrangeiros dos oito países afirmaram que lamentam e discordam firmemente das sanções anunciadas por Washington. Alertaram que, caso sejam aplicadas, as medidas poderão afectar significativamente o funcionamento do tribunal, os seus funcionários e as respectivas famílias.

A reacção surge depois de o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, ter anunciado a proibição de transacções com o TPI, alegando que a instituição ultrapassou os limites da sua competência ao investigar cidadãos de países que não aderiram ao Estatuto de Roma, incluindo os Estados Unidos e Israel.

Washington sustenta que pretende impedir que o tribunal processe cidadãos norte-americanos e considera que as suas acções ameaçam a soberania nacional. Os Estados Unidos não são parte do Estatuto de Roma, tratado que estabeleceu o TPI em 2002.

Por sua vez, o Tribunal Penal Internacional condenou as sanções, considerando que constituem um ataque ao Estado de direito e aos fundamentos da ordem jurídica internacional. A instituição apelou aos seus 125 Estados membros para que adoptem medidas destinadas a proteger a sua independência e a garantir a continuidade das suas actividades.

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, manifestou profunda preocupação com as consequências das medidas norte-americanas, sobretudo no que respeita à capacidade do tribunal para cumprir o seu mandato. O alto-comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, também pediu medidas imediatas para proteger a instituição e os seus funcionários.

A Bélgica defendeu, igualmente, a adopção de medidas concretas para proteger o TPI dos efeitos das sanções. O ministro belga dos Negócios Estrangeiros, Maxime Prévot, indicou que o país pretende discutir com os seus parceiros europeus a possibilidade de recorrer a instrumentos jurídicos da União Europeia para reduzir o impacto das medidas norte-americanas.

O TPI tem competência para investigar e julgar pessoas suspeitas de genocídio, crimes de guerra, crimes contra a humanidade e, em determinadas condições, o crime de agressão. A sua actuação procura assegurar a responsabilização individual pelos crimes mais graves, especialmente quando os sistemas judiciais nacionais não podem ou não querem conduzir os processos de forma efectiva.

A declaração conjunta dos oito países reafirma o compromisso de continuar a defender o trabalho do tribunal e a promover o diálogo com os Estados que não aderiram ao Estatuto de Roma. Os signatários pretendem também coordenar esforços tendo em vista a Assembleia dos Estados Partes, prevista para Dezembro de 2026.

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