Inflação sobe para 3,7% nos EUA e pressiona os mercados bolsistas
Nova Iorque — A inflação anual nos Estados Unidos acelerou para 3,7 por cento em Setembro, face aos 3,4 por cento registados em Agosto, agravando as preocupações dos investidores e contribuindo para novas quedas nos mercados bolsistas, segundo dados económicos divulgados esta quarta-feira pela imprensa norte-americana.
O aumento dos preços superou as expectativas dos economistas, que antecipavam uma taxa de 3,6 por cento. A evolução reflecte a persistência das pressões sobre o custo de vida, particularmente nos combustíveis, nos alimentos e noutras despesas essenciais suportadas pelas famílias.
O índice S&P 500 recuou 0,6 por cento durante a sessão, prolongando as perdas verificadas depois de ter atingido um máximo histórico. O Nasdaq, índice com forte presença de empresas tecnológicas, caiu 0,9 por cento, enquanto o Dow Jones Industrial Average apresentava uma variação praticamente nula nas primeiras horas de negociação.
A subida da inflação também pressionou o mercado obrigacionista. A rendibilidade das obrigações do Tesouro norte-americano a dez anos atingiu 5,26 por cento, reflectindo a preocupação dos investidores com a possibilidade de as taxas de juro permanecerem elevadas durante mais tempo.
Os mercados estão particularmente atentos às decisões da Reserva Federal, a autoridade monetária dos Estados Unidos. Uma inflação persistentemente elevada poderá dificultar a redução das taxas de juro e, em determinadas circunstâncias, aumentar a possibilidade de novos apertos da política monetária para conter a subida dos preços.
Taxas de juro elevadas tendem a encarecer os empréstimos à habitação, o crédito empresarial e o financiamento ao consumo. Também podem reduzir a atractividade das acções, uma vez que os investidores passam a dispor de alternativas de rendimento em activos considerados menos arriscados, como as obrigações do Estado.
O aumento do custo de vida assume igualmente importância política, numa altura em que os Estados Unidos se aproximam das eleições intercalares de Novembro. Os preços dos combustíveis e dos alimentos afectam directamente o orçamento das famílias e poderão influenciar a avaliação dos eleitores sobre a condução da economia nacional.