Subida dos preços dos combustíveis intensifica protestos na Europa
Paris — O aumento do custo dos combustíveis e a perda do poder de compra estão a agravar a contestação social em vários países europeus, com particular intensidade em França, onde manifestações inicialmente associadas às condições das escolas e ao custo de vida evoluíram para confrontos, actos de vandalismo e pilhagens.
A crise tem repercussões para além do território francês. Itália, Portugal, Espanha, Bélgica e Albânia também registaram manifestações relacionadas com os salários, a habitação, os serviços públicos, a inflação e as dificuldades económicas das famílias.
Segundo a Comissão Europeia, o conflito entre os Estados Unidos e o Irão provocou custos estimados em cerca de cem mil milhões de euros para a economia europeia, em consequência das perturbações comerciais e energéticas. Os preços do gás aumentaram aproximadamente cento e quarenta por cento, enquanto os do gasóleo duplicaram, de acordo com a mesma informação.
Em França, a degradação da situação levou à destruição de estabelecimentos comerciais e edifícios. Na cidade de Limoges, um edifício municipal do século XIX foi incendiado durante a vaga de violência. O Presidente Emmanuel Macron reconheceu a legitimidade das preocupações relacionadas com o custo de vida, mas condenou os actos de destruição e pilhagem.
A crise está também a alterar o ambiente político europeu. Em França, Marine Le Pen, dirigente da União Nacional, tem colocado o preço dos combustíveis no centro do seu discurso político, enquanto sectores da direita radical alemã defendem a retoma das relações energéticas com a Rússia como forma de reduzir os custos.
Os protestos colocam os governos europeus perante um dilema: responder às dificuldades económicas sem comprometer as contas públicas, a segurança e os compromissos internacionais. Com eleições previstas em vários países, a capacidade de conter a inflação e recuperar a confiança dos cidadãos poderá influenciar significativamente os resultados eleitorais.