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Irão afirma ter atingido petroleiros com minas navais no Estreito de Ormuz

Irão afirma ter atingido petroleiros com minas navais no Estreito de Ormuz
Irão afirma ter atingido petroleiros com minas navais no Estreito de Ormuz Imagens: DR

Redacção

Publicado às 21h31 20/10/2026

Teerão, Irão — A Guarda Revolucionária Islâmica do Irão afirmou, esta terça-feira, 20 de Outubro, que minas navais colocadas no Estreito de Ormuz atingiram petroleiros que tentavam atravessar uma zona marítima considerada não autorizada pelas autoridades iranianas.

Segundo a organização, duas embarcações incendiaram-se e ficaram imobilizadas, numa nova escalada das tensões militares que ameaçam o transporte internacional de petróleo.

A declaração iraniana surge num contexto de crescente insegurança no Golfo Pérsico, onde os confrontos militares e as restrições à navegação têm perturbado uma das principais rotas mundiais de abastecimento energético.

As autoridades iranianas sustentam que as embarcações atingidas procuravam utilizar uma passagem que consideram ilegal, enquanto a comunidade internacional continua a enfrentar os efeitos das limitações impostas ao tráfego marítimo.

A Guarda Revolucionária afirmou ainda que um terceiro petroleiro, que transportaria mais de dois milhões de barris de petróleo bruto, também teria explodido e incendiado depois de atingir uma mina naval a sul do estreito. Segundo a versão iraniana, a embarcação teria desligado os seus sistemas de radar e navegação. Até à publicação das informações consultadas, não havia confirmação independente de todos os pormenores apresentados por Teerão.

A situação é particularmente preocupante para o comércio internacional, uma vez que o Estreito de Ormuz constitui uma passagem estratégica entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã. Antes do conflito, por esta via transitava aproximadamente um quinto do petróleo comercializado mundialmente, além de quantidades importantes de gás natural liquefeito. A perturbação da navegação ameaça, por isso, o abastecimento energético e aumenta os custos do transporte marítimo.

Os Estados Unidos, por sua vez, impuseram um bloqueio aos portos iranianos, numa medida de retaliação às restrições de Teerão. O confronto entre os dois países tem agravado os riscos para os navios comerciais e reduzido a previsibilidade das operações marítimas na região.

As consequências já se fazem sentir nos mercados petrolíferos. A subida dos preços da energia beneficia determinadas empresas de refinação e comercialização de petróleo, mas aumenta os encargos para países importadores, companhias de transporte e consumidores. A persistência das hostilidades poderá prolongar a instabilidade dos preços e dificultar o planeamento económico de vários países.

Entretanto, a tensão em torno de Ormuz também está a levar os países do Golfo a considerar alternativas para o transporte de energia. O director executivo do HSBC, Georges Elhedery, afirmou hoje, no Dubai, que o investimento em oleodutos e noutras rotas logísticas poderá reduzir significativamente a dependência do estreito nos próximos cinco anos. Trata-se, contudo, de uma perspectiva de longo prazo, e não de uma solução imediata para a actual crise.

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