Irão afirma ter atingido petroleiros com minas navais no Estreito de Ormuz
Teerão, Irão — A Guarda Revolucionária Islâmica do Irão afirmou, esta terça-feira, 20 de Outubro, que minas navais colocadas no Estreito de Ormuz atingiram petroleiros que tentavam atravessar uma zona marítima considerada não autorizada pelas autoridades iranianas.
Segundo a organização, duas embarcações incendiaram-se e ficaram imobilizadas, numa nova escalada das tensões militares que ameaçam o transporte internacional de petróleo.
A declaração iraniana surge num contexto de crescente insegurança no Golfo Pérsico, onde os confrontos militares e as restrições à navegação têm perturbado uma das principais rotas mundiais de abastecimento energético.
As autoridades iranianas sustentam que as embarcações atingidas procuravam utilizar uma passagem que consideram ilegal, enquanto a comunidade internacional continua a enfrentar os efeitos das limitações impostas ao tráfego marítimo.
A Guarda Revolucionária afirmou ainda que um terceiro petroleiro, que transportaria mais de dois milhões de barris de petróleo bruto, também teria explodido e incendiado depois de atingir uma mina naval a sul do estreito. Segundo a versão iraniana, a embarcação teria desligado os seus sistemas de radar e navegação. Até à publicação das informações consultadas, não havia confirmação independente de todos os pormenores apresentados por Teerão.
A situação é particularmente preocupante para o comércio internacional, uma vez que o Estreito de Ormuz constitui uma passagem estratégica entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã. Antes do conflito, por esta via transitava aproximadamente um quinto do petróleo comercializado mundialmente, além de quantidades importantes de gás natural liquefeito. A perturbação da navegação ameaça, por isso, o abastecimento energético e aumenta os custos do transporte marítimo.
Os Estados Unidos, por sua vez, impuseram um bloqueio aos portos iranianos, numa medida de retaliação às restrições de Teerão. O confronto entre os dois países tem agravado os riscos para os navios comerciais e reduzido a previsibilidade das operações marítimas na região.
As consequências já se fazem sentir nos mercados petrolíferos. A subida dos preços da energia beneficia determinadas empresas de refinação e comercialização de petróleo, mas aumenta os encargos para países importadores, companhias de transporte e consumidores. A persistência das hostilidades poderá prolongar a instabilidade dos preços e dificultar o planeamento económico de vários países.
Entretanto, a tensão em torno de Ormuz também está a levar os países do Golfo a considerar alternativas para o transporte de energia. O director executivo do HSBC, Georges Elhedery, afirmou hoje, no Dubai, que o investimento em oleodutos e noutras rotas logísticas poderá reduzir significativamente a dependência do estreito nos próximos cinco anos. Trata-se, contudo, de uma perspectiva de longo prazo, e não de uma solução imediata para a actual crise.