ELEIçõES

Flávio Bolsonaro e Lula da Silva disputam segunda voltas das presidenciais

Lula da Silva e Flávio Bolsonaro disputam segunda volta das eleições presidenciais no BrasilImagem: DR

05/10/2026 12h22

Luanda - Os candidatos à Presidência do Brasil, Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal, e Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores, vão disputar a segunda volta das eleições presidenciais, marcada para 25 do corrente mês.

Segundo a contagem dos votos, Flávio Bolsonaro lidera a lista dos candidatos com 47,26 por cento dos votos, em 98,72 de urnas apuradas em todo o Brasil.

O actual Presidente Lula da Silva arrecadou 44,91 por cento dos votos, faltando apenas a contagem de dois estados brasileiros para a conclusão do voto.

Flávio Bolsonaro continua em vantagem com mais de três milhões de votos, quase o tripo dos votos que Lula da Silva teve em vantagem nas eleições de 2026 contra o antigo Presidente Jair Bolsonaro.

O futuro Chefe de Estado do Brasil será conhecido na próxima volta das presidenciais, marcadas para o próximo dia 25 do corrente mês.

Lula da Silva teve maioria da votação no Norte do país, enquanto que Flávio Bolsonaro teve no Sul e Sudoeste.

Senado

Por outro lado, O Partido Liberal, do candidato Flávio Bolsonaro, elegeu 19 senadores, e terá a maior bancada na Casa Legislativa com 28 parlamentares.

Segundo o portal Notícias ao Minuto, este ano foram eleitos para a câmara alta do Parlamento brasileiro dois senadores por Estado brasileiro, para além do Distrito Federal, o que resultou na renovação de dois terços do Senado.

O Partido Liberal conseguiu eleger de uma só vez dois senadores em cinco estados brasileiros, nomeadamente Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Rondônia e Santa Catarina.

O Distrito Federal elegeu Michelle Bolsonaro, a ex-primeira dama e actual esposa do ex-presidente Jair Bolsonaro, que assumirá, pela primeira vez, um mandato na política brasileira.

Em Santa Catarina, o destaque vai para Carlos Bolsonaro, o segundo filho de Jair Bolsonaro, que deixou o Rio de Janeiro para se mudar para o estado do Sul brasileiro, bastião da extrema-direita do bolsonarismo.

Em São Paulo, as ex-ministras de Lula da Silva do Meio Ambiente, Marina Silva, e do Planeamento, Simone Tebet, foram derrotadas por dois candidatos da direita, sendo um deles do próprio Partido Liberal.

A derrota de Marina Silva e Simone Tebet é parcialmente explicada pela desistência do ex-ministro do Meio Ambiente do Governo Bolsonaro, Ricardo Salles, do partido NOVO, que renunciou à candidatura ao Senado para estimular o voto útil nos outros dois políticos da direita.

Com o agravamento da crise no Supremo Federal brasileiro (STF), com juízes envolvidos no escândalo do Banco Master, Flávio Bolsonaro e os seus aliados usaram o desgaste institucional durante a campanha política.

Ao subir o tom contra o mais alto tribunal do país, os candidatos da direita defenderam a destituição dos magistrados do STF, através da abertura de um processo de 'impeachment' pelo Senado brasileiro, o que, segundo alegaram, só seria possível caso fossem eleitos.

Durante uma conferência de imprensa, na última segunda-feira, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, o juiz Kássio Nunes Marques, que também é juiz do STF brasileiro, e o presidente da Suprema Corte, Edson Fachin, evitaram responder às perguntas dos jornalistas sobre se o resultado nas urnas em relação às eleições para o Senado podia vir a ser uma resposta à crise na Justiça brasileira.

Em entrevista recente à Lusa, o juiz aposentado Celso de Mello, que integrou o STF brasileiro entre 1989 e 2020, sublinhou que um 'impeachment' (destituição) de magistrados pelo Senado tem que se basear em fundamentação jurídica.

"É fundamental preservar a seriedade desse instrumento de responsabilização. A sua utilização pressupõe fundamentos jurídicos, individualização das condutas e respeito ao devido processo", realçou.

"A existência de uma maioria parlamentar, por expressiva que seja, não dispensa esses requisitos nem autoriza transformar divergências com decisões judiciais em causas de destituição", concluiu.

Abstenção

Mais de 33,3 milhões de brasileiros não compareceram às urnas, este domingo, na primeira volta das eleições, o que representa uma abstenção de 21,07 por cento, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral.

Segundo a Prensa Latina, esse número foi registado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com 99,68 por cento das secções apuradas, e supera o registo da primeira volta de 2022.

Há quatro anos, conforme noticiado por veículos de comunicação como a Folha de S.Paulo, 20,70 por cento do eleitorado deixou de votar, o que corresponde a um total de 32,7 milhões de pessoas.

A abstenção demonstrou, portanto, continuidade na tendência de alta observada durante as últimas eleições gerais.

No entanto, a percentagem de 2026 ainda não constitui o máximo histórico, numa primeira volta das eleições presidenciais, uma vez que, em 1998, 21,49 por cento dos eleitores não compareceram às urnas, embora o número absoluto de ausentes tenha sido menor.

O estado de São Paulo, o maior colégio eleitoral do gigante sul-americano, registou uma taxa de abstenção de 22,54 por cento, acima da média nacional.

Para as eleições de domingo, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) permitiu o voto de 158 milhões 745 mil 463 eleitores.

No Brasil, o voto é obrigatório para pessoas de 18 a 70 anos, com excepções previstas em lei, incluindo aquelas que não sabem ler nem escrever.

De acordo com as regras actuais, aqueles que não justificaram a sua ausência no dia da eleição têm até 60 dias, após cada volta para apresentar a justificação.

O Tribunal Eleitoral atribui diversos factores à baixa participação eleitoral, como dificuldades de acesso aos locais de votação, especialmente em áreas da Amazônia, e possíveis cadastros eleitorais desactualizados.

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