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FMI alerta para riscos do aumento da dívida e dos preços da energia
07/10/2026 19h23
Singapura — A directora-geral do Fundo Monetário Internacional, Kristalina Georgieva, alertou esta quarta-feira que os elevados preços da energia, o aumento da dívida pública e os riscos associados ao investimento em inteligência artificial constituem ameaças importantes para o crescimento da economia mundial.
A responsável do FMI fez o alerta num discurso que antecede as reuniões anuais do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial, previstas para a próxima semana em Banguecoque.
Segundo Georgieva, a economia mundial está a ser pressionada simultaneamente por dois fenómenos. De um lado, existe um choque negativo provocado pela subida dos custos da energia e pelos conflitos no Médio Oriente; do outro, uma forte expansão da procura relacionada com a inteligência artificial.
A directora-geral considera que os benefícios do actual ciclo de investimento em inteligência artificial estão distribuídos de forma desigual entre os países. Algumas economias da região Ásia-Pacífico estão a beneficiar mais rapidamente, enquanto outras correm o risco de ficar para trás.
Georgieva advertiu igualmente que o forte investimento em inteligência artificial poderá criar riscos financeiros caso os ganhos esperados pelas empresas não se concretizem. O recurso crescente ao financiamento por dívida para desenvolver infra-estruturas de inteligência artificial poderá aumentar a vulnerabilidade dos mercados.
O FMI considera também preocupante o nível elevado da dívida pública em diversas economias. Os governos poderão ter de adoptar medidas para controlar as despesas e, simultaneamente, proteger os grupos sociais mais vulneráveis.
A subida dos preços da energia representa outro factor de pressão, sobretudo para os países que dependem fortemente de importações de petróleo e gás. A actual instabilidade no Médio Oriente já está a afectar os custos de transporte e de produção em vários mercados.
Georgieva defendeu ainda políticas destinadas a preparar os trabalhadores para as transformações provocadas pela inteligência artificial, garantindo que os ganhos de produtividade não sejam acompanhados por um aumento das desigualdades económicas.