CONFLITO
Ataques com drones atingem dois navios no Mar Negro
13/10/2026 15h27
Sófia — Dois navios comerciais foram atingidos por drones ao largo da costa búlgara do Mar Negro, nesta terça-feira, tendo uma das embarcações afundado e provocado o desaparecimento de onze marinheiros, num incidente que levou as autoridades búlgaras a convocar o representante diplomático da Rússia para prestar esclarecimentos.
Segundo o primeiro-ministro búlgaro, Rumen Radev, uma das embarcações atingidas foi o cargueiro HS Dignity, que navegava sob bandeira da Guiné-Bissau.
O navio afundou nas proximidades de Krapets, enquanto as equipas de salvamento prosseguiam as operações para localizar os marinheiros desaparecidos.
O segundo navio, Chelsea 3, de bandeira maltesa e propriedade de uma empresa ucraniana, também foi atingido por drones. Os quinze tripulantes desta embarcação foram retirados em segurança, tendo cinco recebido assistência médica por ferimentos considerados ligeiros.
As autoridades búlgaras condenaram os ataques e consideraram inaceitável a ocorrência de incidentes desta natureza nas proximidades das suas águas territoriais.
O Governo anunciou a convocação do embaixador russo, sem apresentar uma conclusão definitiva sobre a autoria dos ataques.
A Rússia não confirmou a responsabilidade pelos incidentes. O caso aumenta a tensão diplomática numa região onde as rotas marítimas são fundamentais para o transporte de cereais, combustíveis e outros produtos essenciais ao comércio internacional.
A União Europeia e a Ucrânia condenaram os ataques, considerando que a violência contra navios comerciais aumenta os riscos para a navegação e para o abastecimento dos mercados.
A segurança marítima no Mar Negro continua a ser uma preocupação, uma vez que a Rússia e a Ucrânia desempenham um papel relevante nas exportações mundiais de cereais.
A Bulgária solicitou igualmente maior atenção à vigilância marítima e aérea, num contexto em que os ataques com drones se tornaram um instrumento recorrente da guerra.
O incidente demonstra como a continuação do conflito pode ultrapassar as zonas directamente envolvidas nas operações militares e afectar a segurança de países vizinhos, o comércio e as cadeias internacionais de abastecimento.