EUA sanciona Rwanda por alegado apoio ao grupo M23
Washington — Os Estados Unidos impuseram sanções ao Ministério da Defesa do Rwanda e à instituição financeira Zigama Credit and Savings Society, por alegado envolvimento no apoio militar e financeiro ao movimento rebelde M23, que opera no leste da República Democrática do Congo (RDC).
A decisão foi anunciada a 28 de Outubro pelo Departamento do Tesouro norte-americano, através do Gabinete de Controlo de Activos Estrangeiros (OFAC). As autoridades norte-americanas acusam as forças militares rwandesas de apoiarem directamente os combatentes do M23 nas províncias do Kivu Norte e Kivu Sul.
Segundo Washington, milhares de militares rwandeses terão sido destacados para o território congolês, onde alegadamente fornecem armamento, equipamento, formação e apoio logístico aos rebeldes.
O Governo norte-americano acusa igualmente a instituição financeira Zigama Credit and Savings Society de facilitar operações financeiras destinadas a sustentar o apoio ao movimento armado e à sua estrutura política, denominada Aliança do Rio Congo.
As autoridades dos Estados Unidos afirmam ainda que as forças rwandesas introduziram sistemas de armamento avançados na região, incluindo equipamentos de defesa antiaérea e de interferência electrónica, considerados uma ameaça para a segurança da aviação civil.
Em resposta, o Rwanda rejeitou as acusações de apoio a grupos armados e reiterou a disponibilidade para cumprir os compromissos assumidos nos Acordos de Washington, assinados em 2025. Kigali sustenta, contudo, que a República Democrática do Congo também deve cumprir as suas obrigações no domínio da segurança regional.
A República Democrática do Congo saudou a decisão norte-americana e apelou ao Rwanda para retirar as suas forças do território congolês. O conflito continua a provocar deslocações populacionais e uma grave crise humanitária no leste do país.
As sanções representam um novo instrumento de pressão diplomática e económica sobre Kigali, numa altura em que os esforços internacionais para alcançar uma solução pacífica para o conflito continuam sem resultados definitivos.