Petróleo regista descida perante expectativas de negociações de paz
Nova Iorque — Os preços internacionais do petróleo registaram hoje uma descida próxima de 1%, atingindo níveis mínimos de quase quatro semanas, numa sessão marcada pela avaliação dos investidores sobre as perspectivas de negociações destinadas a pôr fim aos conflitos na Ucrânia e no Irão.
Os contratos futuros do Brent recuaram 1,33 dólares, correspondentes a 1%, para 103,44 dólares por barril, enquanto o petróleo norte-americano West Texas Intermediate (WTI) perdeu 56 cêntimos, fixando-se em 95,90 dólares por barril, segundo dados divulgados pela Reuters.
A evolução dos preços reflecte as expectativas de uma possível redução dos riscos geopolíticos, sobretudo depois de surgirem novos sinais de abertura diplomática entre Washington e Teerão. O Qatar intensificou os esforços de mediação, procurando aproximar as posições das duas partes e evitar uma nova escalada militar.
Apesar das perspectivas diplomáticas, responsáveis iranianos indicaram que os Estados Unidos e o Irão continuam distantes de um entendimento definitivo para pôr termo à guerra. As autoridades qatarianas confirmaram, entretanto, que os dois países mantêm contactos e estão a analisar propostas destinadas a ultrapassar as divergências existentes.
A situação no Estreito de Ormuz continua a constituir um dos principais factores de instabilidade para o mercado energético mundial. Antes das restrições à circulação marítima, esta passagem estratégica assegurava o transporte de aproximadamente 20% do abastecimento mundial de petróleo, ligando os produtores do Golfo aos principais mercados internacionais.
Perante as dificuldades de circulação naquela região, a companhia petrolífera estatal saudita Saudi Aramco está a trabalhar na expansão de um oleoduto alternativo, destinado a permitir o transporte de petróleo sem depender directamente do Estreito de Ormuz. A iniciativa representa uma alteração importante nas prioridades de investimento em infra-estruturas energéticas do Médio Oriente.
No mercado europeu e internacional, os investidores acompanham igualmente a evolução da guerra entre a Rússia e a Ucrânia, uma vez que um eventual acordo poderá permitir o aumento das exportações russas de petróleo. As conversações entre Moscovo, Kiev e Washington estão previstas para 10 e 11 de Novembro, em Abu Dhabi.
Os operadores aguardam ainda os próximos relatórios sobre as reservas de petróleo dos Estados Unidos, que poderão influenciar a evolução das cotações nas sessões seguintes. Apesar da descida registada hoje, os analistas consideram que a persistência dos riscos militares e das restrições ao transporte marítimo mantém elevada a incerteza sobre a estabilidade do mercado energético.