Cimeira Ibero-Americana procura reforçar cooperação política e económica
Madrid – Os Chefes de Estado e de Governo e representantes diplomáticos dos países ibero-americanos reuniram-se esta quinta-feira, em Madrid, Espanha, no âmbito da 30.ª Cimeira Ibero-Americana, com o objectivo de reforçar a cooperação política, económica e institucional, num contexto internacional marcado por divergências ideológicas e desafios geopolíticos.
O encontro reúne 22 delegações, das quais dez são chefiadas por Presidentes ou primeiros-ministros, enquanto as restantes são representadas por vice-presidentes e ministros dos Negócios Estrangeiros. A agenda contempla questões relacionadas com a inteligência artificial, alterações climáticas, cooperação internacional e mobilidade académica.
O Presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez, defendeu a necessidade de maior unidade entre os países participantes, alertando para os riscos do unilateralismo e da crescente divisão política internacional. O monarca espanhol, Felipe VI, também destacou a importância do multilateralismo como instrumento de aproximação entre os Estados.
Por sua vez, o Presidente argentino, Javier Milei, apresentou uma intervenção crítica em relação ao socialismo, estabelecendo uma comparação entre esta corrente política e o fascismo. As declarações evidenciaram as diferenças ideológicas existentes entre alguns dos dirigentes presentes na reunião.
À margem dos trabalhos, Pedro Sánchez manteve um encontro bilateral com o Presidente chileno, José Antonio Kast, no qual foram abordadas questões relacionadas com as relações entre os dois países e as possibilidades de reforço da cooperação internacional. O dirigente chileno apelou à superação de divergências históricas e à identificação de interesses comuns.
O Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, também participou nos trabalhos, tendo salientado a importância da identidade cultural ibero-americana e da diversidade histórica dos países integrantes da comunidade. O responsável considerou que a cooperação entre os povos constitui um elemento fundamental para enfrentar os desafios internacionais.
Entre os principais resultados apresentados figuram a Estratégia de Cooperação 2027-2030, uma aliança sobre inteligência artificial, uma rede de redução de riscos, a Carta de Mobilidade Académica e a Carta de Cuidados. Os instrumentos procuram estabelecer mecanismos de cooperação em áreas com impacto directo no desenvolvimento social e económico dos países participantes.
No encerramento, Felipe VI considerou que a reunião permitiu avançar na discussão de matérias relevantes para os cidadãos e reforçar o papel da comunidade ibero-americana no sistema internacional. A presidência rotativa da organização foi transmitida às Honduras, que assumem a responsabilidade de coordenar os trabalhos até à próxima cimeira, prevista para 2028.