ELEIçõES
Democratas conquistam controlo do Congresso e do Senado dos EUA
04/11/2026 08h14
Washington — O Partido Democrata conquistou o controlo da Câmara dos Representantes e do Senado dos Estados Unidos da América, nas eleições intercalares realizadas terça-feira, 3 de Novembro, impondo uma expressiva derrota ao Partido Republicano e ao Presidente Donald Trump, segundo projecções divulgadas pela Associated Press.
Os resultados representam uma importante mudança no equilíbrio político norte-americano e poderão limitar significativamente a capacidade de Donald Trump de implementar a sua agenda legislativa durante os dois últimos anos do actual mandato presidencial.
A vitória democrata foi particularmente expressiva no Senado, onde os candidatos do partido conseguiram conquistar lugares em Estados tradicionalmente favoráveis aos republicanos, nomeadamente Kansas, Texas, Iowa, Ohio, Carolina do Norte, Carolina do Sul e Maine.
No Texas, o democrata James Talarico derrotou o republicano Ken Paxton, apoiado por Donald Trump, conquistando um dos resultados mais surpreendentes da votação. A vitória assume particular importância por ocorrer num Estado que, durante várias décadas, constituiu um dos principais bastiões eleitorais republicanos.
No Ohio, o antigo governador democrata Sherrod Brown derrotou o senador republicano Jon Husted, recuperando um lugar importante para o seu partido. No Maine, Troy Jackson venceu a senadora republicana Susan Collins, que procurava assegurar um sexto mandato no Senado.
A formação democrata obteve igualmente resultados expressivos nas eleições para governador. Na Geórgia, Keisha Lance Bottoms venceu a disputa eleitoral, tornando-se na primeira mulher afro-americana eleita governadora de um Estado norte-americano. No Texas, Gina Hinojosa derrotou o governador republicano Greg Abbott, enquanto Amy Acton conquistou a governação do Ohio.
A economia, o aumento do custo de vida, a inflação, a imigração, a corrupção e a guerra com o Irão estiveram entre os principais assuntos que influenciaram o comportamento dos eleitores. Os resultados das sondagens à saída das urnas indicaram um elevado nível de insatisfação com a orientação política e económica da Administração Trump.
A derrota republicana representa também um revés pessoal para Donald Trump, que participou activamente na campanha eleitoral, promovendo candidatos do seu partido e procurando transformar as eleições intercalares num teste à sua liderança política.
Em reacção aos resultados, o Presidente norte-americano felicitou os democratas pelas vitórias, mas rejeitou que o desfecho eleitoral constitua uma avaliação negativa da sua Administração, atribuindo parte das derrotas ao desempenho dos candidatos republicanos.
Com o controlo das duas câmaras do Congresso, os democratas poderão intensificar a fiscalização das actividades da Administração Trump, promover investigações parlamentares e dificultar a aprovação de propostas legislativas apresentadas pela Casa Branca.
O líder da minoria democrata na Câmara dos Representantes, Hakeem Jeffries, deverá assumir a presidência daquele órgão legislativo quando o novo Congresso iniciar funções, em Janeiro de 2027. Caso seja eleito pelos seus pares, tornar-se-á no primeiro afro-americano a ocupar o cargo de presidente da Câmara dos Representantes.
A nova configuração política poderá igualmente influenciar a política externa norte-americana, sobretudo no que diz respeito aos conflitos internacionais, às relações comerciais, à imigração e ao apoio militar e financeiro prestado pelos Estados Unidos aos seus aliados.
As eleições intercalares de 2026 ficam, assim, marcadas por uma das maiores derrotas eleitorais republicanas dos últimos anos, abrindo uma nova etapa de confronto político entre a Presidência da República e o Congresso norte-americano.