DIPLOMACIA

Embaixador russo considera positivas reformas económicas em Angola

Embaixador russo em Angola, Vladimir Tararov - Angop
Embaixador russo em Angola, Vladimir TararovImagem: Angop

05/03/2024 12h00

Luanda – As reformas económicas que estão a ser implementadas pelo Governo angolano, visando melhorar o bem-estar da população e contribuir no desenvolvimento do país, foram consideradas de positivas pelo embaixador da Rússia em Angola, Vladimir Tararov.

Em entrevista recentemente à ANGOP, o diplomata apontou a diversificação da economia, a redução da petrodependência e a substituição das importações como medidas que se destacam nas reformas do Executivo angolano, como factores que contribuem para a manutenção da soberania de um Estado.

Realçou também a electrificação do país, o acesso à água potável e o programa de autoconstrução dirigida como outras medidas que visam o bem-estar da população e o desenvolvimento de Angola.

Na ocasião, lembrou que tem havido encontros entre empresários russos e angolanos, onde os homens de negócios têm a oportunidade de estabelecerem laços directos e encontrar projectos concretos para operações comuns.

Vladimir Tararov afirmou que uma série de empresas russas de vários sectores estão interessadas em estabelecer negócios com Angola, através de acordos intergovernamentais e memorandos de entendimentos entre diferentes ministérios.

Sublinhou que existe também um conjunto de instrumentos bilaterais em negociações, destacando, entre eles, as propostas no domínio dos transportes marítimo, educação e Procuradoria-Geral dos dois países.

Segundo o embaixador, várias empresas manifestaram a intenção de entrar no mercado angolano, por ser um dos países com boas perspectivas económicas no continente africano.

Vladimir Tararov referiu que a embaixada recebeu muitas propostas de cooperação ou manifestação de interesse de empresas russas que pretendem construir centrais hídricas, siderúrgicas e fornecimento de materiais para a construção do oleoduto Angola/Zâmbia e infra-estruturas portuárias, para os portos de Luanda, Caio e Barra do Dande, por exemplo.

Apontou, igualmente, o investimento para o sector agrícola, onde a Rússia examina a possibilidade de alargar a cooperação com Angola na produção de cereais, carne e fertilizantes.

Destacou também a formação de quadros angolanos na Rússia, acrescentando que o seu país sempre formou e formará angolanos em vários domínios.

“O capital humano formado na Rússia é de facto um factor chave para o desenvolvimento dos nossos laços de cooperação bilateral e podem contribuir para a aproximação dos povos”, afirmou.

Sobre às relações de amizade e cooperação entre os dois Estados, em quase 50 anos, o embaixador frisou que a Rússia apoia os esforços do Governo angolano para o reforço da parceria em vários domínios, visando a melhoria do nível de vida dos cidadãos.

Recordou que a Rússia e Angola têm tido uma base jurídica bem desenvolvida que abrange diferentes aspectos, com destaque para os mais de 40 acordos intergovernamentais e mais de 13 entre os ministérios.

Para entrada desses acordos, avançou, é necessário que seja cumprido todos os procedimentos legais internos em vigor, que passam pela aprovação do Poder Executivo e Legislativo.

Além disso, referiu que funciona a comissão intergovernamental Russo-Angolano para a cooperação económica, técnico-científica e comercial, na qual troca-se opiniões a cerca de aspectos práticos da interacção em certas áreas definidas.

Vladimir Tararov adiantou ainda que continua o diálogo na esfera militar entre os dois Governos, dando nota que, em Janeiro último, houve um acordo onde se estabeleceu o comité intergovernamental de cooperação técnico militar, que resultou na troca de opiniões e perspectivou-se a cooperação Rússia-Angola neste domínio.

Por outro lado, disse que a Federação Russa está interessada no desenvolvimento dos laços de igualdade e vantagens mútuas com o Governo angolano e o seu povo.

“Todos nós, sem excepção, temos que olhar para frente e adaptar-se de forma enérgica e criativa aos princípios invariáveis da nossa política externa, ou seja independência focada em resultados e multidimensionalidade”, concluiu.

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