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Líderes mundiais reunidos em Sevilha em busca de recursos para o financiamento dos ODS

Um pormenor da cidade de Sevilha, Espanha
Um pormenor da cidade de Sevilha, Espanha Imagens: Edições Novembro

Redacção

Publicado às 13h17 30/06/2025 - Actualizado às 13h18 30/06/2025

Luanda - A necessidade urgente de mobilização de recursos financeiros para acelerar a implementação da Agenda 2030 das Nações Unidas, que se resume, essencialmente, aos 17 Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), reúne, hoje, em Sevilha, Espanha, vários líderes mundiais, segundo o JA Online.

O Chefe de Estado angolano e Presidente da União Africana, João Lourenço, figura entre os líderes mundiais que estão reunidos na IV Conferência Internacional sobre Financiamento ao Desenvolvimento, numa iniciativa das Nações Unidas, com o objectivo de procurar respostas aos desafios emergentes e à reforma necessária para a arquitectura financeira global, numa altura em que faltam apenas cinco anos para o fim do prazo definido para a concretização da Agenda 2030.

De acordo com o Relatório de Financiamento para o Desenvolvimento Sustentável, publicado no ano passado pela ONU, o atraso verificado na implementação dos ODS está a levar o mundo a enfrentar uma crise de desenvolvimento sustentável.

A concretização dos ODS, referente a este documento, está dependente de quatro mil milhões de dólares, sendo que a situação está a gerar um quadro financeiro global desigual, em que os países em desenvolvimento são obrigados a pagar, em média, cerca de duas vezes mais juros sobre o stock total das suas dívidas soberanas em relação aos países desenvolvidos, num contexto em que muitos desses países estão sem acesso ao financiamento ou em situação de endividamento.

Para contornar este quadro, os Estados afectos à ONU endossaram, há dias, um documento conhecido como “Compromisso de Sevilha”, cujo texto se acredita ser a pedra fundamental de uma estrutura global renovada para o financiamento ao desenvolvimento sustentável.

O documento, com mais de 60 páginas, será adoptado nesta IV Conferência Internacional da ONU sobre Financiamento ao Desenvolvimento.

Os países que lideraram as conversações, nomeadamente México, Nepal, Zâmbia e Noruega, saudaram o acordo como um compromisso ambicioso e equilibrado, que reflecte uma ampla base de apoio entre os membros da ONU.

As Nações Unidas consideram o encontro de Sevilha a última oportunidade para se traçar um novo rumo destinado ao alcance dos ODS até ao prazo previsto, no caso 2030.

Para a ONU, o impulso urgente de investimento poderá ajudar a alcançar os objectivos globais preconizados.

A IV Conferência, que ocorre dez anos após a realizada em Adis Abeba, Etiópia, com o mesmo foco, é, igualmente, vista como uma oportunidade única para dar um novo impulso à implementação da Agenda 2030, depois dos compromissos reforçados no âmbito da Cimeira do Futuro das Nações Unidas, realizada em 2024.

Cimeira do Futuro

A Cimeira do Futuro foi um evento de alto nível que reuniu líderes mundiais para estabelecer um novo consenso internacional sobre a forma de melhorar o presente e proteger o futuro.

Desta Cimeira, que contou com a presença do Presidente João Lourenço, saiu o “Pacto para o Futuro” e os seus anexos, com o objectivo de fortalecer a cooperação internacional e abordar os desafios actuais e futuros, como as mudanças climáticas, as desigualdades e o desenvolvimento sustentável.

O Pacto visa reafirmar o compromisso com a Agenda 2030 e seus Objectivos de Desenvolvimento Sustentável, estabelecendo, deste modo, um roteiro para a acção até 2030. Este documento reforça o compromisso com os 17 Objectivos de Desenvolvimento Sustentável estabelecidos na Agenda 2030, buscando acelerar o seu cumprimento.

Repensar a arquitectura financeira global em prol de África

O representante permanente de Angola junto das Nações Unidas, Francisco da Cruz, disse que os embaixadores africanos nesta organização defendem a necessidade de se compensar o sistema da arquitectura financeira internacional para que o continente seja melhor representado.

“Nós pensamos que nas condições actuais penaliza os países africanos, de tal forma que essa reforma seja mais do que necessidade, é neste sentido que nos temos estado a bater e pensamos que este documento reflecte bem essa preocupação”, ressaltou o diplomata angolano.

Indicou que o serviço da dívida, hoje, pesa nos orçamentos dos países africanos, ao ponto de os recursos que deveriam ser investidos em sectores fundamentais, para o desenvolvimento dos países africanos, serem direccionados para o pagamento do serviço da dívida. Por essa razão, prosseguiu, para avançar com a implementação da Agenda 2030, de forma que nenhum país fique para trás, é necessário que se reveja essa questão da dívida.

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