INVESTIMENTO

Angola e Portugal consideram urgente a industrialização em África

João Lourenço e Marcelo Rebelo consideram urgente industrialização em África - DR
João Lourenço e Marcelo Rebelo consideram urgente industrialização em ÁfricaImagem: DR

27/07/2025 09h53

Cascais – Os Presidentes de Angola, João Lourenço, e de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, defenderam este sábado, em Cascais, Portugal, a necessidade urgente de investimentos em infra-estruturas e na industrialização dos países africanos, como pilares fundamentais para o desenvolvimento sustentável do continente.

O apelo foi feito durante a sessão de encerramento do EurAfrican Forum 2025, marcada por um diálogo directo entre os dois Chefes de Estado, moderado pela jornalista portuguesa Joana Petiz.

João Lourenço, também Presidente em exercício da União Africana, destacou que o continente só poderá alcançar o desenvolvimento pleno ao apostar seriamente na industrialização e na transformação local das matérias-primas. Realçou, ainda, que o desemprego juvenil e a excessiva dependência de exportações em bruto continuam a constituir entraves estruturais.

Apontou os investimentos em sectores estratégicos como energia, água, saúde, educação e tecnologias de informação como prioridades do Executivo angolano.

O Chefe de Estado anunciou que Angola acolherá, nos próximos meses, duas importantes cimeiras internacionais: uma da União Africana sobre Infraestruturas e outra entre a União Europeia e África, o que, segundo disse, reflecte o reconhecimento do papel de Angola nas agendas de integração e crescimento do continente.

Ambiente favorável ao investimento

Ao abordar o papel do investimento externo, João Lourenço defendeu a criação de um ambiente de negócios estável e competitivo, capaz de atrair parcerias internacionais de forma célere e eficaz.

“Hoje, muitas vezes, as empresas avançam primeiro e identificam oportunidades, antes mesmo das instituições multilaterais. Precisamos de acompanhar essa dinâmica e oferecer condições concretas a quem deseja investir em África — e, particularmente, em Angola”, sublinhou.

Infraestrutura é mais do que construção

Por seu lado, o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa afirmou que o conceito de infraestrutura deve abranger também áreas como educação, inovação e redes humanas. Sublinhou que os desafios do continente africano devem ser vistos como desafios partilhados com a Europa.

“As infraestruturas não se limitam a estradas ou hospitais. Incluem também a formação e a criação de capital humano. O que acontece num lado do Mediterrâneo impacta directamente o outro. A resposta deve ser conjunta e baseada na confiança mútua”, declarou.

Marcelo Rebelo reconheceu ainda a agilidade do sector privado na resposta aos desafios do desenvolvimento, por vezes à frente das estruturas institucionais tradicionais.

 

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