CIMEIRA
África comprometida com um desenvolvimento verde e resiliente
11/09/2025 11h22
Luanda - Os líderes africanos adoptaram, quarta-feira, em Addis Abeba, na Etiópia, a Declaração sobre a Aceleração das Soluções Climáticas Globais, que reforça o compromisso do continente com um desenvolvimento verde e resiliente, sustentado por financiamento justo e equitativo.
A aprovação ocorreu durante a II Cimeira do Clima da África (ACS2), evento considerado histórico por colocar o continente na linha da frente da acção climática mundial.
No mesmo quadro, foi lançado o Pacto de Inovação Climática de África, instrumento que reforça a liderança continental em soluções concebidas e aplicadas pelos próprios africanos, segundo o JA Online.
Durante o evento, em que Angola se fez representar pelo ministro das Relações Exteriores, Téte António, os estadistas defenderam que as soluções baseadas na natureza constituem a via principal para a construção de resiliência e sustentabilidade, tendo a Iniciativa Legado Verde da Etiópia sido destacada como modelo continental de referência.
A Declaração exorta a comunidade internacional a garantir apoio fortalecido e contínuo para ampliar programas como a Grande Muralha Verde da União Africana, a Iniciativa Africana de Restauração de Paisagens Florestais e o Legado Verde da Etiópia.
De vulnerabilidade à liderança
Mais do que um documento técnico, a Declaração de Addis Abeba é vista como um marco político que transforma a imagem de África de continente vulnerável a líder de soluções climáticas.
Ao defender a justiça, equidade e inovação genuinamente africana, o texto posiciona os países africanos como protagonistas da resposta global às mudanças climáticas, afirmando que o continente não deve ser tratado como receptor de soluções externas, mas sim como actor determinante e decisivo na construção de um futuro sustentável.
Durante os trabalhos, os Chefes de Estado e de Governo defenderam ainda a necessidade de reformar a arquitectura global de financiamento climático, reduzindo o peso da dívida africana e garantindo que os fluxos financeiros sejam canalizados para prioridades definidas pelos próprios países do continente.
Mensagem para o mundo
Na seu discurso de encerramento, proferido em nome do presidente da Comissão da União Africana (UA), Mahamoud Ali Youssouf, comissário da União Africana para Assuntos Políticos, Paz e Segurança,Bankole Adeoye, sublinhou que a África já não pode ser vista como simples receptora de soluções impostas, mas sim como “arquitecta do seu próprio futuro climático”.
“Transformámos a conversa de crise em oportunidade, de ajuda em investimento, e de prescrições externas em inovação africana”, salientou.
Recordou que as exigências africanas em matéria de financiamento climático não são pedidos de caridade, mas sim apelos à equidade, à justiça e à responsabilidade global partilhada.
Um novo capítulo para o continente
Com a adopção da Declaração e a publicação do Relatório Principal sobre Iniciativas Climáticas Continentais, os participantes afirmaram não se tratar apenas de encerrar uma Cimeira, mas de abrir um novo capítulo na história do continente.
“África não é um problema a ser resolvido, é uma solução a ser apoiada”, declarou Adeoye, apelando à união do continente na preparação para a COP30.
Durante o evento ficou referido que África precisa de 1,3 bilião de dólares anuais para financiar os seus planos de adaptação climática.
No discurso de abertura, o presidente da Comissão da União Africana (UA), Mahmoud Ali Youssouf, disse que, actualmente, apenas 300 mil milhões são propostos, maioritariamente, sob forma de investimentos privados, valor que considera insuficiente perante as necessidades reais do continente.