DIPLOMACIA

Ministro Téte António participou na Audição Pública Virtual sobre segurança no Sahel

Ministro das Relações Exteriores, Téte António  - MIREX
Ministro das Relações Exteriores, Téte António Imagem: MIREX

11/09/2025 13h16

Luanda - O ministro das Relações Exteriores, Téte António, participou na manhã desta quinta-feira, na qualidade de Presidente do Conselho Executivo da União Africana, na Audição Pública Virtual com a delegação de Parlamentares Europeus da Assembleia Parlamentar África União Europeia sobre a situação política e de segurança no Sahel e recomendações para o futuro.

A reunião, segundo uma nota de imprensa do MIREX,  foi presidida por Sua Hilde Vautmans, Presidente do Grupo Parlamentar Europa-África do Parlamento Europeu, e contou com a participação de membros da Assembleia Parlamentar da Comissão Europa-África e de João Cravinho, Enviado Especial da União Europeia para Região do Sahel.

A participação do ministro Téte António, ocorre no âmbito do diálogo político estruturado previsto no Acordo de Samoa, que reforça os laços históricos, políticos e estratégicos entre a União Europeia, a União Africana-UA e os Estados da Organização dos Estados de África, Caraíbas e Pacífico- OEACP.

Ao tomar a palavra, o chefe da diplomacia angolana afirmou que a situação de segurança na região do Sahel é bastante complexa e caracterizada por uma combinação de factores que incluem a insurgência, o terrorismo, a instabilidade política, e as crises humanitárias.

“Preocupado com esta situação, o Presidente da República e Presidente em exercício da União Africana, João Lourenço, mandatou-nos para, na qualidade de Enviado Especial, efectuar uma missão de bons ofícios à Região do Sahel, em Junho de 2025, com inicio no Senegal e posteriormente ao Burkina Faso, Mali e Níger", afirmou..

Inspirada pelos princípios dos pais fundadores da Organização da Unidade Africana-OUA e posteriormente reiterados pela União Africana conforme Carta Constitutiva, nomeadamente os princípios da solidariedade e da não indiferença, a missão teve como principal objectivo, avaliar a situação política, de segurança e humanitária das populações desses países e formular recomendações concretas para a normalização institucional e a restauração da ordem democrática.

O ministro das Relações Exteriores esclareceu aos presentes que*o isolamento, as sanções e a ausência de apoio ao desenvolvimento aos países em transição e respectivas populações terão efeitos contraproducentes, requerendo da União Africana, da União Europeia e dos restantes actores internacionais, uma revisão da sua postura.

Face a este cenário, e por recomendação do Presidente João Lourenço, na qualidade de líder pro-Tempere da União Africana, foi aprovada a designação de um Enviado Especial para os Países do Sahel e da Aliança dos Estados do Sahel (AES), função que é desempenhada por Evariste Ndayishimiye, Presidente da República do Burundi, próximo Presidente em Exercício da União Africana, em 2026, que aceitou esta missão política e estratégica no interesse colectivo da União.

O mandato do Enviado Especial inclui o reforço do diálogo com governos locais, líderes comunitários, organizações regionais, sociedade civil e outros actores relevantes, visando a promoção de estratégias abrangentes para a paz e estabilidade duradouras, devendo apresentar relatórios periódicos sobre o evoluir da situação.

A República de Angola, na qualidade de Presidente em exercício da União Africana, reitera a sua disponibilidade e do continente para reforçar o diálogo com a União Europeia e suas estruturas, na busca de soluções consensuais para os desafios que a Região do Sahel está a enfrentar, através dos vários mecanismos previstos no Acordo de Samoa, com foco no triplo nexo: Paz, Segurança e Desenvolvimento Sustentável.

O reforço da coordenação e sinergia entre a União africana e a União Europeia deverá levar em consideração as principais recomendações constantes do Relatório do Painel Independente de Alto Nível sobre Segurança e Desenvolvimento na Região do Sahel, criado pelas Nações Unidas e a União Africana liderado pelo antigo Presidente do Níger, Mahamadou Issoufou, que procedeu a uma Avaliação Estratégica Abrangente de Segurança, Desenvolvimento e Governação em mais de 20 países do Sahara, incluindo a Região do Sahel e do Golfo da Guiné.

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