SEGURANçA
Ministro das Relações Exteriores considera situação de segurança no Sahel complexa

12/09/2025 12h25
Luanda - O ministro das Relações Exteriores, Téte António, afirmou, esta quinta-feira, em Luanda, que a situação de segurança na região do Sahel é bastante complexa e caracterizada por uma combinação de factores que incluem a insurgência, terrorismo, instabilidade política e crises humanitárias.
Téte António participou, a partir de luanda, na qualidade de presidente do Conselho Executivo da União Africana, na Audição Pública Virtual com uma delegação de parlamentares europeus da Assembleia Parlamentar África-União Europeia sobrea situação política e de segurança no Sahel.
A reunião foi presidida pelo presidente do Grupo Parlamentar Europa-África do Parlamento Europeu, Hilde Vautmans, e contou com a participação de João Cravinho, enviado especial da União Europeia para a região do Sahel.
O chefe da diplomacia angolana adiantou que, preocupado com a situação, Presidente em exercício da União Africana, João Lourenço, "mandatou-nos para, na qualidade de enviado especial, efectuar uma missão de bons ofícios à região do Sahel, em Junho de 2025", tendo visitado o Senegal, Burkina Faso, Mali e Níger.
Sublinhou que, inspirada pelos princípios dos pais fundadores da extinta OUA e reiterados pela actual União Africana, nomeadamente os da solidariedade e da não indiferença, a missão visou avaliar "in loco" a situação política, de segurança e humanitária das populações dos países abrangidos e formular recomendações concretas para a normalização institucional e restauração da ordem democrática.
Téte António esclareceu que o isolamento, as sanções e a ausência de apoio ao desenvolvimento dos países em transição e respectivas populações têm efeitos contraproducentes, requerendo da União Africana, da União Europeia e dos restantes actores internacionais, uma revisão da sua postura.
Face ao actual cenário e por recomendação do Presidente em exercício da União Africana, foi aprovada a designação de um enviado especial para os países do Sahel e da Aliança dos Estados do Sahel (AES), função desempenhada por Evariste Ndayishimiye, Presidente do Burundi e próximo Presidente em exercício da União Africana, em 2026.
O mandato do enviado especial inclui o reforço do diálogo com governos locais, líderes comunitários, organizações regionais, sociedade civil e outros actores relevantes, visando a promoção de estratégias abrangentes para a paz e estabilidade duradouras, devendo apresentar relatórios periódicos sobre o evoluir da situação.
A participação de Téte António nesta reunião, indica uma nota do Ministério das Relações Exteriores, ocorre no âmbito do diálogo político estruturado previsto no Acordo de Samoa, que reforça os laços históricos, políticos e estratégicos entre a União Europeia, União Africana e os Estados da Organização dos Estados de África, Caraíbas e Pacífico (OEACP).
Angola, na qualidade de Presidente em exercício da União Africana, reitera a sua disponibilidade e do continente em reforçar o diálogo com a União Europeia e suas estruturas, na busca de soluções consensuais para os desafios que a região do Sahel enfrenta, através dos vários mecanismos previstos no Acordo de Samoa, com foco no triplo nexo paz, segurança e desenvolvimento sustentável, adianta a nota.