Conferência sobre papel da diplomacia angolana decorre em Luanda
Luanda - O ministro das Relações Exteriores, Téte António, disse, esta segunda-feira, em Luanda, que a diplomacia angolana soube com firmeza e visão, ao longos dos 50 anos de independência do país, abrir caminhos, normalizar relações com vizinhos, combater o isolamento imposto pelas circunstâncias e afirmar-se como actor regional e global.
Ao discursar na abertura da Conferência Internacional sobre o “Papel da Diplomacia Angolana na Conquista e Preservação da Independência Nacional”, Téte António sublinhou os 50 anos de afirmação, sacrifício e conquista de uma Nação soberana, livre e respeitada no concerto das nações.
Recordou o percurso da diplomacia angolana na Luta de Libertação Nacional, quando a voz de Angola ecoava pelos corredores das organizações internacionais para denunciar o colonialismo e afirmar o direito do país à auto-determinação.
Salientou que, os primeiros anos da independência coincidiram com os tempos da Guerra Fria e da divisão do mundo em blocos ideológicos, tendo Angola enfrentado desafios complexos, que exigiram sabedoria política e destreza diplomática para salvaguardar a soberania e conquistar o reconhecimento internacional.
Adiantou que, na região austral do continente, Angola desempenhou um papel decisivo na libertação da Namíbia e no fim do Apartheid na África do Sul, com a libertação de Nelson Mandela e o advento da democracia sul-africana, em 1994.
Enfatizou que o fim da Guerra Fria e a queda do Muro de Berlim permitiu iniciar em África o ciclo da democratização e da reconstrução dos Estados, com Angola a tornar-se um exemplo de superação e promotor da paz, dada a sua experiência em conflitos.
Téte António disse que, desde o alcance da paz definitiva, em 2002, Angola assumiu com responsabilidade o papel de mediador e facilitador de processos de reconciliação em várias regiões, como a RDC, República Centro-Africana, Uganda, Rwanda, Sudão, Sahel, Golfo da Guiné e na África Central.
Enfatizou o reconhecimento continental, com a designação do Presidente João Lourenço como Campeão da União Africana para a Paz e Reconciliação em África e estar a exercer a presidência em da organização continental.
Destacou o papel da diplomacia angolana no domínio económico, num contexto de restrições financeiras e de imperativos de reembolso da dívida pública, em que o país soube dialogar com parceiros bilaterais e multilaterais para garantir estabilidade macro-económica e atrair investimento para diversificar a sua economia.
Realçou que a diplomacia económica é actualmente uma das prioridades do país, visando mobilizar recursos e captar investimento produtivo e integração competitiva de Angola nos circuitos regionais e globais.
Sublinhou o papel da diplomacia parlamentar na arena internacional e a consular e comunitária, ao serviço da protecção das comunidades angolanas no exterior, visando dignificar o cidadão angolano na regularização dos seus direitos e no reforço dos seus laços com a Pátria-mãe.
Defendeu que actualmente se impõem novos desafios, nomeadamente valorizar e motivar os quadros, rever o estatuto remuneratório, criar mecanismos de reconhecimento dos diplomatas jubilados e suas famílias e formar o novo perfil do diplomata angolano, como profissional, patriota, discreto e eficaz.
Assistiram a abertura da conferência os presidentes da Assembleia Nacional, do Tribunal Constitucional e do Tribunal de Contas, assim como a interina do Tribunal Supremo, o Procurador Geral da República, ministros, membros do corpo diplomático acreditado em Angola e embaixadores, cônsules-gerais e outros altos funcionários do Ministério das Relações Exteriores.