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Angola manifesta profunda preocupação com situação no Madagáscar

Embaixador de Angola na Etiópia e representante permanente junto da União Africana, Miguel César Bembe
Embaixador de Angola na Etiópia e representante permanente junto da União Africana, Miguel César Bembe Imagens: MIREX

Redacção

Publicado às 08h50 14/10/2025

Luanda - O embaixador de Angola na Etiópia e representante permanente junto da União Africana, Miguel César Bembe, manifestou, esta segunda-feira, em Adis Abeba, a profunda preocupação do seu país face a grave situação de emergência que se verifica actualmente no Madagáscar.

Miguel César Domingos Bembe manifestou a posição de Angola quando participava numa reunião do Conselho de Paz e Segurança da União Africana, convocada, a pedido do Botswana, com carácter de emergência, para analisar a actual situação no Madagáscar.

Falando na qualidade de presidente do Conselho de Paz e Segurança da União Africana durante o mês de Outubro, o diplomata angolano reafirmou o compromisso de Angola com os princípios da paz, estabilidade e respeito pela ordem constitucional, sem descurar que o diálogo inclusivo e a reconciliação nacional representam o caminho mais seguro para preservar a unidade do país e responder às legítimas aspirações do povo malgaxe.

De acordo com uma nota de imprensa do Ministério angolano das Relações Exteriores, Miguel Bembe expressou, igualmente, a preocupação de Angola relativamente à ruptura da ordem constitucional naquele país membro da SADC, através da consumação de um golpe de Estado.

“Reiteramos que qualquer tentativa de tomada do poder pela força deve ser firmemente condenada e rejeitada, em conformidade com os princípios da União Africana e do direito internacional”, enfatizou o diplomata angolano.

Sublinhou que Angola considera ser indispensável reflectir, profundamente, sobre as causas que, nas últimas semanas, já anunciavam esta crise, reiterando que a antecipação de crises deve estar no centro da acção da União Africana.

Recordou que a situação actual em Madagáscar ilustra, com precisão, a relevância da recente reunião do Conselho para a Paz e a Segurança da União Africana ao nível dos Chefes de Estado e de Governo, realizada em Nova Iorque, a 24 de Setembro último, subordinada ao tema “Revigorar a prevenção e a resolução de conflitos em África”.

Miguel Bembe disse que a conjuntura actual no Madagáscar confirma, mais uma vez, a necessidade de prosseguir e aprofundar este tipo de reflexão estratégica, incluindo a urgência absoluta de reformar a Arquitectura de Paz e Segurança Africana.

Disse ser imperativo que a União Africana, em coordenação com a SADC, assuma um papel de liderança no processo de resolução e acompanhamento da crise prevalecente em Madagáscar, bem como evitar a proliferação de iniciativas para o mesmo efeito.

Defendeu a necessidade de se promover uma concertação nacional inclusiva, visando fomentar um diálogo construtivo e pacífico entre todas as partes interessadas, prevenir qualquer escalada de tensão e estabelecer um plano consensual para uma saída pacífica e constitucional da crise.

Destacou que se deve prestar especial atenção às causas profundas que originaram a presente situação, assegurando que as soluções propostas sejam sustentáveis, legítimas e amplamente aceites pela sociedade, tendo expressado solidariedade de Angola para com o Governo e o povo malgaxe, tendo em conta os desafios políticos de elevada complexidade que enfrentam.

Recorde-se que o Madagáscar viveu, nas últimas semanas, manifestações de jovens, num movimento denominado "Geração Z", reclamando do aumento de preços e da situação da economia do país. 

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