INDúSTRIA
Angola defende parcerias para reforçar a capacidade financeira da indústria marítima

10/10/2025 11h26
Luanda - Angola defendeu, quinta-feira, em Bruxelas, as parcerias entre os países africanos, parceiros internacionais e o sector privado, no sentido de reforçar a capacidade financeira e desenvolver a indústria marítima.
A perspectiva foi apresentada pelo embaixador na Etiópia e representante permanente junto da União Africana, Miguel Bembe, durante o 8.º Retiro Conjunto entre o Comité Político e de Segurança da União Europeia (CPS-UE) e o Conselho de Paz e Segurança da União Africana (CPS-UA).
A reunião versou sobre questões de paz e segurança e o apoio às operações de paz, cibersegurança, inteligência artificial e a desinformação como ameaça híbrida à paz e segurança.
O diplomata angolano propôs, ainda, a troca regular de informações e a coordenação entre os Estados-membros, tendo considerado esses aspectos “essenciais para uma abordagem abrangente e eficaz da segurança marítima”.
Miguel Bembe anunciou, na ocasião, que Angola continua a afirmar-se como um actor estratégico na segurança marítima do Golfo da Guiné, graças à crescente experiência em matéria de vigilância costeira e combate às actividades ilícitas no mar.
“Enquanto país costeiro, situado no Sul do Golfo, Angola tem-se empenhado firmemente no reforço das suas capacidades navais, contribuindo para uma maior segurança ao longo de toda a faixa marítima”, disse.
Os esforços empreendidos, acrescentou, enquadram-se na “Arquitectura de Yaoundé”, que promove a cooperação regional para enfrentar várias ameaças marítimas, tais como a pirataria, a pesca ilegal e o tráfico transnacional.
Miguel Bembe referiu, ainda, que o envolvimento activo de Angola nesta iniciativa “reflecte a vontade de contribuir para a estabilização duradoura do espaço marítimo da África Ocidental”.
A adopção, em Julho de 2022, da Estratégia Nacional para o Mar até 2030, sublinhou o diplomata, visa promover o desenvolvimento sustentável, estruturar a exploração dos recursos marinhos e favorecer a integração de Angola no mercado marítimo mundial, apoiando a diversificação da economia nacional.
“Esta ambição foi recentemente ilustrada pela realização, em Abril de 2025, em Luanda, de uma Conferência Internacional de grande envergadura dedicada à Segurança Marítima e à Economia Azul na África Central”, enfatizou.
Organizada como prelúdio da Cimeira Sub-regional de Malabo, esclareceu que a Conferência permitiu reforçar as sinergias entre os Estados-membro, actualizar o quadro jurídico existente e promover uma abordagem integrada da gestão dos recursos marinhos.
“Pelo seu papel de anfitrião e catalisador do diálogo regional, Angola confirma a sua liderança em matéria de segurança marítima e de desenvolvimento da economia azul, consolidando, assim, a sua posição nas instâncias internacionais dedicadas à governação dos espaços marítimos africanos”, frisou.
Miguel Bembe abordou, também, os vários passos marcados pelo continente africano para uma melhor protecção dos seus mares, como a Estratégia Marítima Integrada da União Africana para 2050 (AIMS 2050), tendo informado que esta estratégia continental visa harmonizar as políticas marítimas dos Estados-membros da União Africana e das Comunidades Económicas Regionais e os Mecanismos Regionais em áreas como segurança marítima, transporte, construção naval, energia, aquacultura e aplicação da legislação marítima.
O 8° Retiro foi co-presidido pelo representante permanente do Botswana junto da União Africana e presidente do CPS-UA para o mês de Outubro, Tebelelo Alfred Boang, e a presidente permanente do CPS-UE, Delphine Pronk.
O evento contou com a participação dos 15 Estados-membros do CPS-UA e dos 27 Estados-membros do CPS-UE, bem como da directora para África dos Serviços Europeus de Acção Externa (EEAS), Patricia Cussac, e o comissário para os Assuntos Políticos, Paz e Segurança da Comissão da UA, Bankole Adeoye.