Região dos Grandes Lagos enfrenta desafios significativos – Téte António
Luanda – O ministro das Relações Exteriores, Téte António, admitiu, esta quinta-feira, em Kinshasa (RDC), que a região dos Grandes Lagos enfrenta desafios significativos, com conflitos latentes, crises humanitárias e dificuldades em consolidar uma paz duradoura.
Téte António discursava na décima nona sessão ordinária do Comité Inter-Ministerial da Conferência Internacional sobre a Região dos Grandes Lagos (CIRGL), na sua qualidade de presidente cessante do Comité Regional Inter-Ministerial.
Para o chefe da diplomacia angolana, o esforço da CIRGL deve estar voltado para reforçar a actuação do Comité e ampliar a eficácia das suas acções conjuntas, incluindo a mediação de crises, combate às causas dos conflitos e promoção de iniciativas de inclusão social e desenvolvimento económico.
Uma nota de imprensa do Ministério das Relações Exteriores indica que Téte António sublinhou que Angola desempenhou um papel proactivo e responsável na mediação de crises complexas, actuando junto com a União Africana, Nações Unidas e parceiros de desenvolvimento regionais e internacionais, sobretudo no Leste da República Democrática do Congo (RDC), República Centro-Africana, Sudão e Sudão do Sul.
Segundo o ministro, essas acções visaram principalmente neutralizar grupos armados não estatais, restaurar a autoridade do Estado nas áreas afectadas e fortalecer a colaboração e o controlo nas regiões fronteiriças da RDC, Rwanda e Uganda.
A décima nona sessão ordinária do Comité Inter-Ministerial da Conferência Internacional sobre a Região dos Grandes Lagos (CIRGL) conta com a participação de ministros dos Negócios Estrangeiros, Integração Regional e das Relações Exteriores dos Estados membros da CIRGL, e foi aberta por Judith Tuluka Suminwa, Primeira-Ministra da República Democrática do Congo.
A sessão está a discutir os relatórios do secretário executivo sobre realizações, desafios e perspectivas da organização e da reunião dos Coordenadores Nacionais, assim como está a analisar o informe sobre a situação de segurança na região do presidente do Comité de Ministros da Defesa da CIRGL.
Téte António destacou o papel de Angola na busca por soluções duradouras, como a elaboração e aprovação do Roteiro Conjunto para a Paz na República Centro-Africana, a adopção do Conceito de Operações, como guia para a implementação do Plano Harmonizado de Neutralização das FDLR e do Plano de Desengajamento de Forças e levantamento das medidas de defesa do Rwanda.
No sector de recursos naturais e governação mineira, Angola desempenhou um papel central no fortalecimento do Mecanismo Regional de Certificação, promovendo ética, transparência e rastreabilidade nas cadeias de valor dos minerais de conflito.
Na esfera de promoção de género e inclusão social, Angola actuou de forma decisiva na elaboração do Plano de Acção Regional da segunda Geração para Mulheres, Paz e Segurança (2026–2030).
Esses avanços representam um legado de acção, diálogo e resultados tangíveis, que fortalecem a credibilidade da CIRGL e projectam uma visão partilhada de paz, estabilidade e desenvolvimento sustentável para a Região dos Grandes Lagos.