ALTERAçõES CLIMáTICAS
PR reconhece que alterações climáticas afectam segurança alimentar
23/11/2025 12h51
Luanda – O Presidente da República e em exercício da União Africana, João Lourenço, afirmou, este sábado, em Joanesburgo (África do Sul), que as alterações climáticas têm vindo a afectar gravemente a segurança alimentar ao perturbarem os sistemas alimentares, gerar conflitos e provocar deslocações de pessoas.
João Lourenço discursava numa sessão da Cimeira do G20, subordinada ao tema “Um mundo resiliente – a contribuição do G20 para a redução do risco de catástrofes; alterações climáticas; transições energéticas justas; sistemas alimentares”.
O estadista angolano adiantou que o novo Programa Abrangente de Desenvolvimento Agrícola para a África, a Estratégia de Kampala e o Plano de Acção 2026-2035 têm foco na construção de sistemas agro-alimentares resilientes e sustentáveis.
Destacou que o Programa Abrangente de Desenvolvimento Agrícola para África, em articulação com o Grupo de Trabalho do G20 para a Segurança Alimentar, vai continuar a apoiar a implementação da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, lançada pelo Brasil, durante a sua presidência no G20.
Importa recordar que o Grupo de Trabalho do G20 para a Segurança Alimentar foi criado pela presidência sul-africana, em conjunto com o Fundo das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) e o Programa Alimentar Mundial (PAM).
Sublinhou que as transições para uma energia justa e verde requer a estabilização da situação de paz e segurança, particularmente em África, além do reforço da resiliência e da preparação e resposta aos desastres naturais permanecer no centro das preocupações.
Saudou os resultados da COP30 realizada recentemente em Belém do Pará, no Brasil, em alinhamento com a Estratégia da União Africana sobre as Alterações Climáticas e Desenvolvimento Resiliente.
“O G20 deve reafirmar o seu firme compromisso com a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas e o Acordo de Paris e mobilizar esforços para acelerar a plena implementação de todos os objectivos, metas e mecanismos acordados, especialmente no que respeita ao financiamento climático”, enfatizou.
João Lourenço frisou que Angola, na qualidade de Presidente da União Africana, assumiu a liderança na congregação dos parceiros de desenvolvimento de África para a busca de soluções adequadas para o financiamento das infra-estruturas continentais críticas.
Apelou ao apoio dos líderes e países do G20, assim como de instituições internacionais que se associaram a União Africana na missão de financiar infra-estruturas, manifestando convicção sobre a importância vital de se investir nas transições energéticas, tecnologia e infra-estruturas.
Para o Presidente em exercício da União Africana, a Cimeira do G20 reveste-se de um carácter fundamental para a renovação e o reforço dos compromissos colectivos multilaterais, em prol do avanço de um desenvolvimento global equitativo.
Assegurou que o continente africano contribuirá, de forma activa, por intermédio da Zona de Comércio Livre Continental Africana, por ser um dos maiores mercados económicos integrados do mundo.
Sublinhou que em paralelo e tendo em conta a abundância de recursos naturais críticos e estratégicos de que dispõe, as vastas reservas de biodiversidade e o seu potencial demográfico, África tem um papel incontornável no contributo a prestar para impulsionar a transição verde à escala global.
O Chefe de Estado angolano participou no primeiro dia da vigésima Cimeira do G20, presidida pela África do Sul, até domingo, passando o próximo mandato da presidência para os Estados Unidos da América.
João Lourenço discursou nos temas sobre “Crescimento económico inclusivo e sustentável que não deixa ninguém para trás” e “O mundo resiliente – a contribuição do G20 para a redução de riscos de catástrofes”, e num evento paralelo de alto nível sobre o “G20 Compact With Africa: “Para o crescimento económico e empregos”.
À margem da Cúpula do G20, João Lourenço reuniu-se com diversas individualidades, tendo já regressado ao país, sábado.