CONDENAçãO
Angola condena atrocidades contra civis no Leste da RDC

30/12/2025 08h01
Luanda - O ministro das Relações Exteriores, Téte António, disse, esta segunda-feira, em Luanda, que Angola "manifesta a sua mais veemente condenação às atrocidades cometidas contra as populações civis no Leste da República Democrática do Congo (RDC), em particular nas províncias do Kivu Norte e Kivu Sul.
Téte António, que falava na reunião do Conselho de Paz e Segurança da União Africana sobre a situação no Leste da República Democrática do Congo, realizada por videoconferência, adiantou que Angola condena igualmente as atrocidades cometidas na localidade de Uvira, tomada pelos rebeldes após a assinatura dos acordos de paz de Washington.
De acordo com o chefe da diplomacia angolana, os relatos de assassinatos, deslocações forçadas, violência sexual baseada no género e o recrutamento de crianças soldado representam graves violações dos direitos humanos e constituem uma ameaça intolerável à paz e à dignidade humana na região.
De acordo com Téte António, Angola denuncia a escalada de violência que culminou com a tomada de posições e cidades estratégicas pelo grupo AFC/M23, enfraquecendo de forma significativa as autoridades legítimas congolesas e as suas Forças Armadas, dá conta uma nota de imprensa do Ministério das Relações Exteriores.
Face a situação, adianta a nota, Angola reafirma a sua posição em defesa da soberania da RDC e da protecção das populações civis, apelando ao fim imediato das hostilidades e ao respeito pelos princípios fundamentais do direito internacional.
Apesar de diversas iniciativas regionais e continentais, no âmbito da Conferência Internacional sobre a Região dos Grandes Lagos (CIRGL), da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) e da
Comunidade da África Oriental, assim como dos esforços de mediação conduzidos pela União Africana, "a paz permanece um objectivo ainda distante", lê-se na nota de imprensa.
As tentativas de resolução do conflito, reforçadas por intervenções internacionais, incluindo dos Estados Unidos da América e do Estado do Qatar, não têm conseguido travar a escalada da violência, nem garantir a segurança das populações afectadas.
Na sua intervenção, Téte António esclareceu que o quadro alarmante da situação de conflito vigente impõe um exercício de franqueza diplomática, "capaz de reconhecer que não é a inexistência de acordos que prolonga a guerra, mas sim a falta de vontade política para os aplicar com seriedade".