NEGóCIOS
Timor Leste abre portas a investidores angolanos
26/01/2026 12h19
Luanda - O embaixador de Timor Leste em Angola, Ivo Jorge Valente, disse que o seu país está de portas abertas para empresários e investidores angolanos e garante facilidades institucionais, cruzando diplomacia económica e língua portuguesa como plataforma comum de negócios.
Em entrevista à agência Lusa, Ivo Jorge Valente, que apresentou as cartas credenciais em Outubro do ano passado, adiantou que a reabertura da representação diplomática de Timor Leste, em Luanda, pretende ser um instrumento de aproximação política e económica entre os dois países.
A missão diplomática, encerrada, em Setembro de 2019, e reaberta, em 2024, visa proteger os interesses do Estado timorense e apoiar os seus cidadãos, mas sobretudo dinamizar a cooperação bilateral, encaminhar investidores e promover ligações com decisores políticos e institucionais em Díli, capital de Timor Leste.
“Convidamos os nossos irmãos e irmãs investidores para visitar o país”, afirmou o diplomata, assegurando que Timor Leste se encontra numa fase activa de construção e desenvolvimento e as autoridades estão preparadas para acolher investimento estrangeiro, em particular proveniente de Angola.
A escolha de Angola como sede de uma das poucas representações diplomáticas timorenses em África não acontece por acaso.
Além de Moçambique, Angola integra o reduzido grupo de capitais africanas com missão permanente de Timor Leste, reflectindo uma aposta clara na lusofonia e numa aproximação gradual ao continente africano.
Segundo Ivo Valente, esta presença permite estar mais perto de Angola e reforça uma relação histórica assente em laços políticos, culturais e humanos.
Desde 2002, Angola e Timor Leste assinaram oito acordos de cooperação, reforçados em 2024 com a visita do Presidente timorense, José Ramos-Horta, que abrangem áreas políticas, culturais e institucionais.
Entre os principais factores de união, estratégica para o futuro da cooperação, Ivo Valente apontou a língua portuguesa, como elemento identitário e instrumento de integração internacional, facilitando a articulação no seio de organizações como a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e as Nações Unidas.
Reconheceu haver desafios no ensino da língua em Timor Leste, defendendo um reforço da cooperação com países lusófonos, incluindo Angola, na formação e capacitação.
No plano económico, com o petróleo e o gás a ocuparem um lugar central, sendo fonte primordial de receitas para ambos os países, Timor Leste quer também beneficiar da experiência angolana no sector, identificando ainda como prioridade a diversificação económica.
Ivo Valente identificou o turismo, a agricultura, com destaque para o café, e as pescas como áreas com elevado potencial, capazes de reduzir a dependência dos recursos energéticos.
Sublinhou que estas áreas oferecem oportunidades de cooperação e investimento, mas admite que a fase actual é ainda de consolidação da presença diplomática e de intensificação do diálogo com as instituições angolanas.
Alguns empresários angolanos já realizaram visitas exploratórias a Timor Leste, numa lógica de prospecção de mercado, deslocações que, segundo o diplomata, resultaram numa avaliação positiva do ambiente local.
Paralelamente, Timor Leste participa em programas de cooperação institucional financiados pela União Europeia, envolvendo países africanos de língua portuguesa, com foco no reforço das capacidades do Estado nas áreas da justiça, legislação e administração pública.
O diplomata reiterou o convite ao sector privado angolano, sublinhando que Timor Leste vive um período de forte investimento em infra-estruturas, como estradas, pontes e edifícios públicos, e procura parceiros para acompanhar todo o processo.