MULTILATERALISMO
Manifestada preocupação com aumento do unilateralismo
27/01/2026 10h47
Luanda – O representante permanente de Angola junto das Nações Unidas, Francisco José da Cruz, manifestou, esta segunda-feira, em Nova Iorque, a preocupação de Angola com o aumento do unilateralismo, resultante da crescente priorização dos interesses de alguns países em detrimento dos restantes.
Ao intervir no debate aberto do Conselho de Segurança sobre o tema “Reafirmando o estado de direito internacional - caminhos para revigorar a paz, a justiça e o multilateralismo”, adiantou que tais acções desafiam a Carta das Nações Unidas e o direito internacional, e ameaçam a estabilidade e a eficácia da governação global.
Afirmou que, desde a sua criação, há 80 anos, as Nações Unidas têm desempenhado um papel central na manutenção da paz e da segurança internacionais, promoção dos direitos humanos e defesa do respeito pelo direito internacional, assegurando que sejam tomadas decisões para promover o multilateralismo.
Francisco José da Cruz defendeu que o sistema multilateral continua a ser importante para enfrentar os desafios globais multifacetados e complexos, através de acções colectivas inclusivas e concertadas.
Recordou que a Carta da ONU e o direito internacional são os alicerces de um sistema internacional moderno, ao qual todos os Estados devem aderir para defender o multilateralismo, resolver disputas de forma pacífica e trabalhar em conjunto para reformar e melhorar a governação global.
Advogou que a construção de um mundo justo e inclusivo exige uma reforma abrangente do Conselho de Segurança da ONU para tornar o órgão mais democrático e equitativo e mais adequado para responder aos novos desafios.
Realçou a necessidade da referida reforma corrigir também uma injustiça histórica, garantindo a África uma representação justa, com base no Consenso de Ezulwini e na Declaração de Sirte de 2005, que defendem dois assentos na categoria de membros permanentes com todos os direitos e privilégios e dois não permanentes adicionais.
Reiterou que a ONU deve reformar o sistema multilateral para manter a sua relevância estratégica para o bem-estar de toda a humanidade, e manifestou o apoio de Angola à iniciativa UN80 para fortalecer o sistema das Nações Unidas.
Francisco José da Cruz recordou a declaração do antigo Secretário-Geral da ONU, Dag Hammarskjöld, em 1954, de que “as Nações Unidas foram criadas não para nos levar ao paraíso, mas para nos salvar do inferno”, indica uma nota dos Serviços de Comunicação institucional e Imprensa da Missão Permanente de Angola junto das Nações Unidas.