Casa da Reclusão deverá estar concluída em Novembro
Luanda – O processo de reabilitação da Casa da Reclusão do Penedo encontra-se numa fase bastante avançada e deverá estar concluído em Novembro deste ano, anunciou, recentemente, o ministro da Cultura, Filipe Zau.
A informação foi avançada à ANGOP, no quadro dos 65 anos do início da Luta de Libertação Nacional, que hoje se assinala.
Segundo o governante, a intervenção na Casa da Reclusão, património cultural do país, constitui uma das prioridades do Executivo no âmbito da valorização e preservação dos espaços históricos, com vista à devolução destes equipamentos à fruição pública e à dinamização cultural.
Filipe Zau explicou que a recuperação deste edifício histórico se enquadra num programa mais amplo de investimento no sector da cultura, que inclui igualmente a construção da nova Biblioteca Nacional e a criação do Museu da Resistência, projectos destinados a reforçar o papel da cultura no desenvolvimento social e identitário do país.
“O que nos interessa é que a cultura volte a emergir e a desempenhar o papel que deve ter em qualquer sociedade. A nossa sociedade merece isso”, afirmou.
Para além da reabilitação física dos espaços, o responsável defendeu a necessidade de garantir uma programação cultural contínua, sublinhando que os equipamentos culturais devem funcionar com agendas regulares que permitam criar oportunidades de trabalho para artistas e profissionais do sector.
Nesse sentido, destacou o Palácio de Ferro, que já se encontra em funcionamento com uma agenda cultural activa, modelo que se quer replicado noutros espaços em reabilitação.
O ministro revelou ainda que existem perspectivas para a recuperação de outros equipamentos emblemáticos, como o Elinga Teatro, bem como intervenções em áreas adjacentes, que poderão contar com o envolvimento de empresas no âmbito da sua responsabilidade social.
No domínio da valorização internacional do património, Filipe Zau informou que Angola submeteu recentemente, em Paris, o dossiê de candidatura do Tchitundo-Hulo a Património Mundial da Humanidade.
Referiu igualmente que decorrem outros processos que poderão resultar, ainda este ano, na classificação de mais bens culturais angolanos.
O ministro apelou ao envolvimento da comunicação social na promoção de uma cultura de respeito e valorização do património, pelo facto da cultura contribuir para o reforço da autoestima colectiva, para o crescimento do turismo cultural e para uma maior interacção cultural entre as províncias.
“A cultura é um bem comum e um contributo para todos nós”, concluiu.
Sobre Casa de Reclusão
A antiga Casa de Reclusão Militar, situada no Forte de São Francisco do Penedo, em Luanda, constitui um dos mais importantes marcos da história contemporânea de Angola.
O local é particularmente conhecido pelo ataque de 4 de Fevereiro de 1961, considerado o início da Luta Armada de Libertação Nacional, e por ter servido de prisão para militares e presos políticos.
Actualmente, o edifício encontra-se em fase de restauração, com o objectivo de ser transformado no Museu da Luta de Libertação Nacional, integrando o conjunto de iniciativas do Executivo voltadas para a preservação da memória histórica do país.
A Casa de Reclusão funcionou como uma cadeia de segurança máxima durante o período colonial, tendo acolhido presos do chamado “Processo dos 50”, bem como figuras ligadas aos acontecimentos de 27 de Maio de 1977, já no período pós-independência.
O espaço assume, por isso, um elevado valor simbólico na história política e social de Angola.
Em 2023, foi anunciado o financiamento para a reabilitação da antiga prisão, com vista à sua conversão em museu.
Porém, as obras haviam registado várias interrupções ao longo dos anos, devido à escassez de recursos financeiros e aos constrangimentos provocados pela pandemia da Covid-19.
Em reconhecimento do seu valor histórico e simbólico, a Casa de Reclusão do Penedo foi classificada como Património de História Nacional em 1992.