SAúDE
João Lourenço considera que África enfrenta desafios crescentes no domínio da saúde
10/02/2026 10h56
Luanda – O Presidente da República e em exercício da União Africana, João Lourenço, considerou, esta segunda-feira, em Luanda, que África enfrenta desafios crescentes no domínio da saúde, marcados por pandemias, surtos recorrentes e aumento das doenças não transmissíveis.
O facto foi anunciado pelo ministro das Relações Exteriores, Téte António, que representou o Presidente João Lourenço na quinta reunião do Comité dos Chefes de Estado e de Governo da União Africana sobre o Centro Africano de Controlo e Prevenção de Doenças (África CDC), realizada em formato virtual.
Segundo Téte António, o estadista angolano adianta que os desafios existentes “colocam pressão sobre os sistemas nacionais de saúde e sobre a coesão continental”.
A reunião foi orientada pelo Vice-Presidente do Burundi, Prosper Bazombanza, em representação do Presidente do seu país, Évariste Ndayishimiye, actualmente primeiro Vice-Presidente da União Africana.
Ao intervir em nome do Chefe de Estado angolano, Téte António sublinhou que João Lourenço destaca o compromisso, esforços colectivos e liderança dos Chefes de Estado e de Governo do continente, em prol da segurança e da soberania sanitárias de África.
Téte António realçou que João Lourenço reconhece que o continente tem demonstrado uma resposta assente na solidariedade e numa liderança consistente, sustentada por uma acção coordenada sob orientação do África CDC, com o apoio das instituições regionais e nacionais de saúde pública.
De acordo com o chefe da diplomacia angolana, esta resposta continental representa hoje um exemplo de cooperação, inovação e firmeza, tendo reforçado a capacidade africana de enfrentar ameaças sanitárias complexas.
Nesta reunião, o comité procedeu ao balanço da execução dos programas do África CDC, com foco na operacionalização da segurança e soberania sanitária em África, bem como a apreciação das prioridades estratégicas para o período seguinte.
Entre os principais eixos analisados constam o financiamento sustentável da saúde, o fabrico de vacinas, inteligência digital, liderança global em matéria de saúde e reforço das capacidades de preparação e resposta a emergências.
Foi reiterado por Téte António que o objectivo comum é construir uma África auto-suficiente no sector da saúde, com capacidade para detectar e responder de forma rápida e eficaz a qualquer ameaça sanitária, colocando o bem-estar das populações no centro do desenvolvimento sustentável e da prosperidade do continente.
Manifestou confiança de que a determinação colectiva dos Estados-membros continuará a fortalecer o África CDC, enquanto guardião da segurança sanitária e da soberania de África.
Uma nota de imprensa do Ministério angolano das Relações Exteriores indica que a agenda do encontro contemplou análise ao relatórios do Conselho de Governação do África CDC e do África CDC 2025, assim como o Plano de Trabalho para 2026, apresentados pelo director-geral da instituição, Jean Kaseya.
Jean Kaseya reconheceu a iniciativa de João Lourenço, como Presidente do primeiro país africano a efectuar uma contribuição financeira directa para o África CDC, assim como saudou o lançamento da iniciativa do Chefe de Estado angolano para o reforço das contribuições voluntárias, por via do Fundo Epidémico Africano.
Participaram na reunião, ministros dos Negócios Estrangeiros da Etiópia, Gedion Timothewos, e da Guiné Equatorial, Simeón Oyono Esono Angue, e da Saúde de Angola, Sílvia Lutucuta, do Ghana, Mintah Akandoh, e da Tanzânia, Mohamed Mchengerwa, assim como Mahmoud Ali Youssouf, Presidente da Comissão da União Africana.
O Centro de Prevenção e Controlo de Doenças da União Africana (África CDC) foi criado, em 2017, para reforçar a capacidade dos Estados-membros na prevenção, detecção e resposta a surtos de doenças e ameaças à saúde pública, assim como para coordenar políticas de saúde, assegurar vigilância epidemiológica, responder a emergências, formar profissionais e promover cooperação entre países africanos e organizações internacionais.