ASSIMETRIAS

Combate às assimetrias regionais continua a ser prioridade do Executivo

Ministro de Estado e chefe da Casa Militar do Presidente da República, Francisco Pereira Furtado, discursa em encontro regional da sociedade civilImagem: DR

16/02/2026 11h23

Luanda - O combate às assimetrias regionais continua a ser uma das grandes prioridades do Executivo angolano, revelou, este sábado, no Lubango (província da Huíla), o ministro de Estado e chefe da Casa Militar do Presidente da República, Francisco Pereira Furtado.

Ao discursar no primeiro Encontro Regional Sul da Sociedade Civil, com participação de cerca de 700 delegados, provenientes das províncias da Huíla, Cunene, Namibe, Cuando e Cubango, Francisco furtado destacou que o Plano Integrado de Intervenção nos Municípios (PIIM) permitiu a realização de investimentos em infra-estruturas sociais e económicas, em todo o território nacional.

Francisco Furtado disse que Angola se encontra, ainda, numa fase de reconstrução relativamente recente, tendo admitido que os 23 anos de paz efectiva representam um período curto para resolver problemas estruturais herdados de décadas de conflito armado.

Apontou o défice de infra-estruturas rodoviárias como um dos principais desafios, na medida em que dos cerca de 47 mil quilómetros de estradas nacionais, pouco mais de oito mil estão concluídas e 39 mil por construir ou reabilitar, sem contar as vias secundárias e terciárias.

A construção e reabilitação das vias, explicou, vai permitir melhorar o acesso às comunidades, facilitar a circulação de bens e serviços, reforçar a presença da administração local e reduzir as desigualdades territoriais.

No mesmo contexto, considerou a recente implementação da nova Divisão Político-Administrativa (DPA), que elevou o número de províncias de 18 para 21, como uma medida destinada a aproximar os serviços públicos às populações e tornar a governação mais eficiente.

Defendeu que o êxodo rural constitui uma das principais causas das assimetrias no país, pois o interior tende a ficar despovoado, enquanto as capitais provinciais enfrentam crescimento desordenado e sobrecarga de serviços.

Entre as iniciativas estruturantes, Francisco Furtado destacou o programa de aquisição de 738 pontes metálicas, ao abrigo de um acordo com uma empresa norte-americana, destinado a melhorar a ligação entre comunas, municípios e localidades isoladas.

A medida, disse, visa permitir que administradores municipais e comunais consigam alcançar aldeias de difícil acesso, para promover a inclusão territorial e maior acompanhamento das comunidades, defendendo a necessidade de reorganizar o povoamento em algumas zonas, através da concentração de pequenas localidades dispersas, de forma a viabilizar investimentos estruturantes e melhorar as condições de vida das populações.

Chamou a atenção para o elevado crescimento populacional do país, estimado em cerca de 3,2 por cento por ano, com quase um milhão de nascimentos anuais, sublinhando que, apesar da existência de mortalidade significativa, o saldo demográfico continua elevado, impondo forte pressão sobre os sectores da educação e da saúde.

Angola necessita construir, em média, cerca de mil escolas por ano para responder à procura crescente, sobretudo tendo em conta que a maioria da população é jovem e em idade escolar, enfatizou, reconhecendo que persistem elevados índices de crianças fora do sistema de ensino.

Durante o encontro promovido pelo Movimento Nacional Angola Real (MONAAR), visando reforçar a consciência cívica, patriotismo e compromisso colectivo com o desenvolvimento do país, os membros da sociedade civil apresentaram posições críticas sobre a realidade política e social do país.

Os participantes reconheceram existir desemprego, assim como defenderam maior valorização do sentimento de pertença nacional e a necessidade de reforçar a legislação e o compromisso colectivo com a unidade nacional, bem como combater a intolerância política.

Consideraram que o fortalecimento da cidadania passa pela capacidade de propor soluções concretas, participar no debate legislativo e acompanhar políticas públicas de forma independente e responsável, noticia o JA Online.

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