Reafirmada firmeza perante as mudanças inconstitucionais de governos
Luanda - O embaixador na Etiópia e representante permanente junto da União Africana e da Comissão Económica das Nações Unidas para África (UNECA), Miguel Bembe, considerou necessário que os países continuem firmes perante as mudanças inconstitucionais de governos.
Intervindo na Reunião do Conselho de Paz e Segurança da União Africana sobre Consultas Informais com os Países Africanos em Transição Política, realizado em Adis Abeba, o diplomata apelou à mobilização pela solidariedade e pelo pan-africanismo, a fim de se construir um futuro melhor para todos os africanos, baseado na democracia, na unidade, na tolerância responsável e no desenvolvimento inclusivo.
Segundo notícia do JA Online, Miguel Bembe defendeu que as interacções são essenciais para reforçar a unidade e solidariedade perante os desafios que atravessam alguns dos países irmãos, nomeadamente o Burkina Faso, Guiné-Bissau, Mali, Níger, Sudão e Madagáscar.
O diplomata angolano considerou que estas discussões se inscrevem no quadro normativo continental, fundado no Acto Constitutivo da União Africana, na Carta Africana da Democracia, das Eleições e da Governação, bem como no Protocolo do Conselho de Paz e Segurança, cujos textos consagram o princípio da tolerância zero face às mudanças inconstitucionais de governo, princípio que continua a ser a pedra angular da acção colectiva da organização continental.
A União Africana, acrescentou, não assenta apenas em regras igualmente construídas sobre uma solidariedade indestrutível e sobre os ideais sagrados do pan-africanismo.
“Angola defende que o Conselho de Paz e Segurança desempenhe plenamente o seu papel, acompanhando de perto os países irmãos em transição, garantindo assistência e seguimento em todo o momento, e organizando sessões deste género sempre que necessário”, referiu.
Na ocasião, o representante permanente junto da União Africana disse, também, que a normalidade política não se reduz à organização de eleições, mas pressupõe a criação de estruturas sólidas capazes de responder às aspirações profundas das populações, tais como a justiça, a segurança, o desenvolvimento e a integração regional.
O diplomata afirmou, ainda, que Angola atribui grande importância às consultas políticas, com a convicção de que o diálogo ajuda a pôr em prática a vontade de acompanhar os processos em curso nestes países, neste período difícil da sua história.
Multilinguismo como pilar do sistema de multilateralismo
Miguel Bembe destacou, em Adis Abeba, o multilinguismo como pilar do sistema de multilateralismo africano forte, durante a reunião do grupo de embaixadores da Organização Internacional da Francofonia.
Durante a reunião, em que participou o presidente da Comissão da União Africana, Mahmoud Ali Youssoufo, o diplomata angolano saudou a iniciativa conjunta da Comissão da União Africana e da Organização Internacional da Francofonia de promover o diálogo ao nível dos embaixadores, sublinhando que a língua francesa constitui um instrumento essencial de comunicação, entendimento e cooperação no contexto das organizações internacionais e da diplomacia contemporânea.