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Angola defende financiamento para Países Menos Avançados

Representante permanente de Angola junto das Nações Unidas, embaixador Francisco José da Cruz (Arquivo)
Representante permanente de Angola junto das Nações Unidas, embaixador Francisco José da Cruz (Arquivo) Imagens: MIREX

Redacção

Publicado às 12h32 09/03/2026 - Actualizado às 12h32 09/03/2026

Luanda - O representante permanente de Angola junto das Nações Unidas (ONU), Francisco da Cruz, afirmou, em Nova Iorque, que as lacunas de financiamento e a crescente vulnerabilidade da dívida continuam a pesar de forma significativa sobre os Países Menos Avançados (PMA).

O diplomata angolano fez as declarações quando intervinha numa reunião dedicada à implementação do Programa de Acção de Doha e as prioridades dos PMA, no âmbito dos preparativos da IV Conferência Internacional sobre o Financiamento para o Desenvolvimento (FFD4).

Durante o seu discurso, Francisco da Cruz apontou, ainda, outros factores que condicionam o desenvolvimento destes países subdesenvolvidos, entre os quais os elevados níveis de dívida, a limitada diversificação produtiva e o acesso restrito ao financiamento climático.

Apesar dos avanços registados, sublinhou que “a responsabilidade colectiva deve centrar-se na garantia de coerência entre os compro- missos assumidos e a sua efectiva concretização”.

Francisco José da Cruz propôs, por isso, dois aspectos concretos a considerar, nomeadamente o estabelecimento de um quadro de monitorização mais estruturado e transparente, capaz de ligar os cinco principais resultados esperados do Plano de Acção para a Transição a compromissos de apoio mensuráveis, particularmente nas áreas do financiamento concessional, alívio da dívida e capacitação.

O representante permanente de Angola na ONU defendeu, igualmente, o reforço e a operacionalização de mecanismos de apoio à transição suave para países em processo de saída da categoria de PMA ou que tenham concluído recentemente esse processo, garantindo o acesso contínuo ao financiamento concessional, aos fundos climáticos e à assistência técnica.

Segundo explicou, estas medidas são essenciais para assegurar que a transição represente um marco de resiliência e não um factor adicional de vulnerabilidade.

Revelou que Angola se encontra actualmente a preparar a sua avaliação nacional de implementação, documento que deverá ser apresentado durante as próximas consultas regionais.

Para o embaixador, este exercício reforçou a convicção de que as medidas de apoio internacional devem estar melhor alinhadas com as realidades específicas de cada país e com as suas vulnerabilidades estruturais.

Iniciativa “Além do PIB”

Durante a participação numa sessão informativa dedicada à iniciativa denominada “Além do PIB”, o diplomata angolano defendeu que a discussão sobre indicadores complementares ao Produto Interno Bruto (PIB) constitui uma reflexão estratégica sobre a forma como o progresso é definido e como as políticas públicas são concebidas a nível nacional e internacional.

Embora o PIB continue a ser uma referência importante para medir o desempenho económico, disse que o indicador não capta plenamente factores como vulnerabilidades estruturais, desigualdades persistentes, exposição a choques externos, impactos das alterações climáticas ou a sustentabilidade do crescimento a longo prazo.

“Para muitos países em desenvolvimento, particularmente no continente africano, estas realidades influen- ciam profundamente os percursos de desenvolvimento e devem ser reflectidas na forma como o progresso é avaliado”, esclareceu o embaixador.

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