RESOLUçãO
Angola vota a favor da resolução para reparações pelo Tráfico Transatlântico
26/03/2026 09h52
Luanda - Angola votou, esta quinta-feira, em Nova Iorque, a favor do projecto de resolução para as reparações pelo tráfico transatlântico, proposto pelo Gana à Organização das Nações Unidas (ONU), que foi aprovado por 123 dos 193 países.
Segundo o G1, o projecto de resolução para as reparações pelo tráfico transatlântico condena, igualmente, essa prática como o pior crime da humanidade, uma vez que envolveu a captura de cerca de 12,5 milhões de pessoas que foram levadas para trabalhos forçados, serem exploradas em campos de plantação nas Américas e detalha que as consequências da escravatura continuam a afectar múltiplos países no continente africanos.
O texto, de acordo com o Ja Online, foi aprovado por 123 dos 193 países que integram as Nações Unidas. Estados Unidos, Israel e Argentina foram os únicos que votaram contra, enquanto Portugal, acrescenta.
Além disso, são exigidas reparações pelos danos causados. Os países que votaram contra alegaram que esta resolução "pode implicar uma hierarquia entre crimes contra a humanidade, tratando alguns como mais graves do que outros; e também discordaram de reparações retroactivas", avança publicação.
Antes da votação a favor da “Declaração do Tráfico de Africanos Escravizados e da Escravatura de Chattel Racializada de Africanos como o mais Grave Crime contra a Humanidade”, o ministro de Estado, Dionísio da Fonseca, assinalou que a justiça reparatória reconhece a dor e o sofrimento infligidos às vítimas de injustiças históricas e busca corrigir erros do passado, restaurando a dignidade de comunidades e indivíduos marginalizados e desumanizados.
Referiu, também, que Angola como um país que emergiu de um passado doloroso, entende a importância desse princípio. Por isso, “devemos trabalhar para garantir que as vozes das vítimas sejam ouvidas e que suas demandas sejam atendidas.
O Chefe da Casa Civil da Presidência da República acrescentou que os governos não são os únicos responsáveis pela justiça reparatória, as organizações da sociedade civil, académicas e as comunidades devem ser aliados nesse processo e considerou imprescindível a criação de políticas concretas que garantam reparações significativas, incluindo compensação financeira, acesso à educação e à saúde, e fortalecimento de iniciativas que celebrem a cultura e a identidade africana e de afrodescendente.
Apelou, por isso, às organizações internacionais e às instituições financeiras que priorizem investimentos em iniciativas que promovam o desenvolvimento equitativo das populações afrodescendentes, para que assim aconteça uma verdadeira inclusão social.