CHUVAS
Presidente da República orienta medidas para mitigar efeitos das cheias em Benguela
16/04/2026 06h58
Luanda – O Presidente da República, João Lourenço, orientou, esta quarta-feira, o início de acções concretas, a partir de Maio próximo, para resolver os actuais problemas provocados pelos impactos das cheias dos rios críticos da província de Benguela.
João Lourenço, que esteve em Benguela a avaliar as consequências do transbordo do rio Cavaco, na cidade de Benguela, deixou instruções precisas para a mitigação dos efeitos da calamidade e a recuperação das infra-estruturas afectadas.
De acordo com o ministro de Estado e chefe da Casa Militar do Presidente da República, Francisco Pereira Furtado, em declarações à imprensa, a rápida e coordenada resposta do Executivo, Governo Provincial e sociedade civil foi determinante para minimizar as consequências das cheias provocadas pelas fortes chuvas que atingiram as regiões Norte e Leste da província de Benguela.
Segundo disse, horas depois da ocorrência das cheias, foram criadas condições para o socorro e assistência às populações sinistradas, com especial relevo para a actuação da Comissão Provincial de Protecção Civil.
Destacou, entre os recursos mobilizados, o destacamento de helicópteros da Força Aérea Nacional, meios da Marinha de Guerra Angolana, com realce para 15 equipas de fuzileiros navais apoiadas por cinco embarcações, que permitiram o resgate de mais de três mil 600 pessoas em situação de risco.
Afirmou que o Executivo fez chegar à província de Benguela cerca de 930 toneladas de bens alimentares e outros meios essenciais, incluindo medicamentos e materiais de acomodação temporária, destinados a garantir a assistência às famílias desalojadas.
Sublinhou a solidariedade da sociedade e de empresas de várias regiões do país, que contribuíram com donativos adicionais, reforçando a resposta humanitária.
Durante a visita, o Presidente da República sobrevoou as zonas afectadas para constatar a situação das áreas mais críticas, nomeadamente o rompimento do dique na margem esquerda do rio Cavaco, e percorreu algumas áreas onde decorre o cadastramento e reassentamento provisório das populações.
João Lourenço orientou uma reunião conjunta dos conselhos Nacional e Provincial de Protecção Civil, que resultou num plano de acção concreto, com cronograma de execução, visando a mitigação dos efeitos imediatos e a implementação de soluções estruturais, a partir de Maio, depois da época chuvosa.
Entre as medidas anunciadas, destaca-se a retoma de um programa estruturante de desassoreamento e requalificação dos rios Cavaco, Catumbela e Copotolo, projecto interrompido em 2015, com o objectivo de prevenir futuras cheias e garantir maior segurança às populações.
Francisco Pereira Furtado alertou para a necessidade de se reforçar a sensibilização das comunidades, de modo a evitar a construção de habitações em zonas de risco, sublinhando que, durante o sobrevoo, foi possível constatar a existência de assentamentos em ilhotas formadas pelas enchentes do rio Cavaco, cujas populações deverão ser reassentadas.
Relativamente a capacidade de resposta do país, assegurou que Angola dispõe de recursos para enfrentar a situação, destacando que, além das toneladas de ajuda mobilizadas pelo Executivo, empresas privadas contribuíram com mais de 700 toneladas de bens, incluindo uma doação individual de cerca de 500 toneladas de alimentos e produtos de higiene.
Quanto à situação sanitária, confirmou a existência de focos de cólera na província e em utras regiões do país, e deu a conhecer que o Ministério da Saúde enviou 49 toneladas de meios para reforçar a assistência às populações e prevenir a propagação da doença.
Destacou a importância do rigor no ordenamento do território e licenciamento de construções, apoiando o apelo do governador provincial para que os administradores municipais reforcem o cumprimento das normas legais, admitindo que poderão ser tomadas medidas contra eventuais incumprimentos.
De acordo com Francisco Furtado, a visita presidencial teve como principal impacto o reforço da coordenação institucional e mobilização de recursos para uma resposta imediata, bem como a implementação de soluções duradouras que visam reduzir a vulnerabilidade da província de Benguela a fenómenos naturais extremos.
Recorde-se que o transbordo do rio Cavaco, na cidade de Benguela, ocorrido no dia 12, foi provocado pelo rompimento do dique de protecção da margem esquerda do rio Cavaco, na sequência das chuvas intensas que se abateram sobre a região.
De acordo com o último balanço das autoridades, o transbordo do Cavaco causou 18 mortes, 11 desaparecidos, 451 residências desabadas e cerca de 10 mil desalojados.
As zonas mais afectadas são os bairros da Calomanga, Tchipiandalo, Massangarala, Cotel e Santa Teresa, bem como áreas agrícolas e empresas circunvizinhas, onde se registaram ruas submersas e centenas de habitações parcialmente cobertas pela água.