INFRA-ESTRUTURAS

João Lourenço avalia obras emergenciais no rio Cavaco

Obras emergenciais no dique do rio Cavaco, em Benguela, depois do seu transbordoImagem: CIPRA

16/04/2026 07h18

Luanda – O Presidente da República, João Lourenço, avaliou, esta quarta-feira, o andamento das obras emergenciais de reposição do dique de contenção da margem esquerda do rio Cavaco, no município de Benguela, para minimizar o risco de novas cheias.

Os trabalhos, iniciados segunda-feira, estão a ser executados pelo consórcio Omatapalo e Casais Angola, no bairro da Seta Antiga, considerado o epicentro das inundações do último domingo, que devastaram a cidade de Benguela e arredores, após o rompimento de cerca de 300 metros do dique da margem esquerda do rio Cavaco.

As inundações, recorde-se, causaram, até ao último balanço, 18 mortos, 11 desaparecidos e cerca de vinte mil pessoas desalojadas, sobretudo dos bairros da Seta, Ilha, Calomanga, Condule, Cotel, Calomburaco, Santa Teresa, Compão, Massangarala, Quioxe e Tchipiandalo.

Segundo o ministro das Obras Públicas, Urbanismo e Habitação, Carlos Alberto dos Santos, as obras em curso visam repor a estrutura do dique que cedeu, no prazo de uma semana.

De acordo com Carlos Alberto dos Santos, a meta das autoridades é fazer com que, dentro de uma semana, o dique esteja completamente reposto, para impedir o transbordo do rio, em caso de aumento do caudal.

Adiantou que as obras emergenciais vão se estender ainda a outras áreas críticas já identificadas, nomeadamente a margem direita do dique para prevenir novas inundações.

Durante a visita, o Presidente da República, acompanhado do governador provincial de Benguela, Manuel Nunes Júnior, percorreu a zona que beneficia de obras, assim como visitou o centro de acolhimento provisório no novo campismo, onde estão realojadas mais de quatro mil famílias.

No local, foi informado sobre as condições de alojamento das famílias sinistradas, bem como o processo de localização de crianças desaparecidas durante as inundações, numa acção levada a cabo pelo Instituto Nacional da Criança (INAC), com o apoio da Cruz Vermelha de Angola.

Dados históricos indicam que, depois da independência nacional, as inundações do rio Cavaco, de regime intermitente, já ocorreram em 1979, 1983, 2002 e 2015, com destruição de habitações, ponte rodoviária e ferroviária, além de perdas de áreas agrícolas e vítimas mortais.

Na enchente de 2002, uma das mais severas, registou-se o colapso da ponte sobre o rio e destruiu centenas de casas em bairros periféricos de Benguela.

Em Março de 2015, novas chuvas fortes causaram a morte de pelo menos 12 pessoas e deixaram centenas de famílias desalojadas, tendo o transbordo do Cavaco inundado bairros e arrastado viaturas, além de danificar infra-estruturas rodoviárias.

Em Março do corrente ano, o transbordo do rio desalojou mais de 100 famílias, no bairro Tchipiandalo, e destruiu várias residências, em zonas urbanizadas junto ao leito do rio.

Especialistas alertam para alguns factores de risco, como ocupação desordenada das margens, assoreamento do leito do rio, drenagem insuficiente e falta de obras permanentes de contenção, elementos que aceleram as cheias.

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