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Papa alerta para a busca do Senhor por interesses
20/04/2026 13h45
Luanda - O Papa Leão XIV declarou, esta segunda-feira, na homília, na missa campal, em Saurimo, na Lunda-Sul, que os fiéis devem ter cuidado com a busca do Senhor por interesses em vez de com uma motivação genuína.
Segundo o Santo Padre, citado pelo JA Online, o Filho de Deus realiza "gestos eloquentes para manifestar a vontade do Pai: ilumina as trevas dando a vista aos cegos, dá voz aos oprimidos soltando a língua dos mudos, sacia a nossa fome de justiça multiplicando o pão para os pobres e os fracos", contudo Deus olha para o nosso coração e pergunta-nos "se o procuramos por gratidão ou por interesse, por cálculo ou por amor."
Adverte, igualmente, aos fiéis que o Livro do Evangelho de São João 6, que foi lido na homília, mostra como aquelas pessoas não tinham um desejo por se encontrar com Cristo, mas sim por beneficiar daquilo que Ele lhes poderia proporcionar.
"A multidão vê Jesus como um instrumento para atingir outros fins", à semelhança de "um prestador de serviços" que se não lhes desse de comer, os seus gestos e ensinamentos não interessariam", referiu.
O Papa relembra ainda assim que a atitude de Jesus para connosco não é de rejeitar a procura insincera, mas de incentivar à conversão e a examinar o que palpita o nosso coração.
Nesse sentido, "não basta ouvir falar de Jesus, é preciso acolher o sentido das suas palavras" e seguir a atitude de Cristo em vez de somente mirá-lo à distância.
Caso contrário, prosseguiu o Papa, corre-se o risco de substituir a fé autêntica por um "comércio supersticioso, no qual Deus se torna um ídolo que se procura apenas quando nos serve e enquanto nos serve" e "até os mais belos dons do Senhor, que cuida sempre do seu povo, se tornam então uma exigência, um prémio, ou uma chantagem" e acabam por ser "mal compreendidos precisamente por quem os recebe".
Depois de falar sobre aqueles que estão atrás do benefício próprio, Leão XIV também referiu-se a injustiça que "corrompe os corações e o pão que se torna propriedade de poucos".
"Não viemos ao mundo para morrer, não nascemos para nos tornarmos escravos da corrupção da carne, nem da corrupção da alma, toda a forma de opressão, violência exploração e mentira que nega a ressureição de Cristo, dom supremo da nossa liberdade.", acrescentou, sublinhando que em Jesus vemos o anúncio da nossa ressureição.
"Ele é o nosso Redentor. Este é o Evangelho que partilhamos, fazendo irmãos todos os povos da terra. Este é o anúncio que transforma o pecado em perdão. Esta é a fé que salva a vida", frisou.