CONFLITO
Conflito no Médio Oriente pode pressionar economia angolana
22/04/2026 19h38
Luanda – O ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano, reconheceu, esta quarta-feira, em Luanda, que o agravamento do conflito no Médio Oriente poderá ter impactos mais prolongados e profundos na economia de Angola, com reflexos nos preços das importações, custos logísticos e segurança energética.
Em declarações à imprensa no final da primeira sessão extraordinária da Comissão Económica do Conselho de Ministro, orientada pelo Presidente da República, João Lourenço, assegurou que o Executivo angolano está a implementar medidas para mitigar os efeitos negativos sobre as famílias e empresas.
Segundo José de Lima Massano, a subida do preço do petróleo para uma média estimada de 80 dólares por barril, acima dos 61 previstos no Orçamento Geral do Estado (OGE) 2026, poderá gerar receitas adicionais na ordem dos 3,2 biliões de kwanzas.
Apesar disso, esclareceu que os ganhos não vão resultar em aumento da despesa pública, uma vez que o compromisso do Executivo é manter a execução orçamental dentro dos limites definidos, reduzir a necessidade de endividamento e melhorar o défice fiscal, que poderá situar-se em cerca de um por cento, no exercício de 2026.
Deu a conhecer que uma parte significativa das receitas geradas com o aumento do preço do petróleo será absorvida pelos subsídios aos combustíveis, devido a elevada factura na importação de produtos refinados.
Relativamente aos custos logísticos, referiu que o conflito já provoca perturbações nas cadeias globais de abastecimento, com aumentos acentuados nos preços de transporte e seguros, que, em alguns casos, ultrapassam os 200 por cento, o que encarece os bens importados, incluindo alimentos, matérias-primas e equipamentos.
Entre as principais preocupações, destacou o aumento do preço dos fertilizantes, com subidas superiores a 50 por cento, situação que poderá comprometer os esforços de reforço da segurança alimentar e afectar a próxima campanha agrícola.
Para mitigar os impactos, o Executivo decidiu reforçar a constituição de reservas estratégicas, abrangendo alimentos essenciais, combustíveis com cobertura mínima de 90 dias, medicamentos, equipamentos hospitalares, produtos químicos para tratamento de água, fertilizantes e outros insumos agrícolas.
De acordo com José de Lima Massano, Angola pretende, igualmente, antecipar importações críticas, visando reduzir a exposição a choques externos e garantir maior estabilidade no abastecimento interno.
No domínio energético, recordou que, apesar de o país ser produtor de petróleo, continua dependente da importação de combustíveis refinados, o que agrava os riscos num contexto de instabilidade internacional.
Apontou oportunidades no actual cenário, com destaque para a possibilidade de captação de investimento estrangeiro, sobretudo nos sectores produtivo e turístico, face a reconfiguração de fluxos económicos globais, e assegurou que o Executivo mantém vigilância sobre a evolução do conflito para ajustar as políticas económicas e proteger as populações e garantir o normal funcionamento das empresas.