PARLAMENTO
Adão de Almeida defende preservação da paz e estabilidade
28/04/2026 06h01
Luanda – O Presidente da Assembleia Nacional, Adão de Almeida, defendeu, esta segunda-feira, em Maputo, a necessidade da construção de sociedades reconciliadas, onde o trabalho e as ideias construtivas de todos são considerados no processo de edificação das nações.
Ao intervir na sessão solene da Assembleia da República, realizada no quadro da sua visita de quatro dias à Moçambique, Adão de Almeida afirmou que os dois países aprenderam com as suas histórias, e “de forma mais cruel, que é fácil começar uma guerra, mas nem sempre é fácil construir a paz”.
Adiantou que “é rápido destruir, mas leva tempo construir um país”, enfatizando que “é por isso que a paz e a estabilidade devem ser preservadas, sendo para tal essencial que não se subestime o seu valor, nem a sua imprescindibilidade".
Adão de Almeida salientou que a relação entre os dois países é transversal e abrange praticamente todos os domínios, sublinhando a multifacetada cooperação no plano parlamentar entre Moçambique e Angola, reforçada com a assinatura do Programa de Cooperação 2026-2028, esta segunda-feira.
Destacou as prioridades dos dois países na região da SADC, que passa pela transformação do Fórum Parlamentar em Parlamento Regional, de modo a promover maior integração regional.
Em relação a CPLP, enfatizou que a mobilidade continua a ser um dos maiores desafios, para além da dinamização das trocas comerciais e promoção do desenvolvimento.
Defendeu uma cooperação que acautele os temas dos jovens, enquanto principal motor para o desenvolvimento, assim como a adopção de políticas em prol da afirmação da mulher, que considerou ser um dos principais activos para a promoção do desenvolvimento.
Referiu-se igualmente a protecção dos idosos, crianças e outros segmentos vulneráveis para a edificação da coesão social e crescimento económico sustentável, “sem deixar ninguém para trás”.
Na sua intervenção, Adão de Almeida instou os parlamentares a erguerem as suas vozes para que as armas cedam espaço ao diálogo, com vista a contribuir para que se compreenda que o mundo precisa mais de cooperação do que de competição.
Sublinhou que as vozes dos parlamentares deve “continuar a ecoar a favor de reformas profundas na ordem mundial nos domínios político, diplomático, económico e financeiro".
Para Adão de Almeida, é imperioso que se juntem sinergias nas diferentes plataformas parlamentares continentais e regionais, a favor de reformas profundas no sistema de governação global, e defendeu que "África não pode continuar a assistir pela televisão", destacando a necessidade do continente ter uma participação activa e directa na tomada de decisões estratégicas globais.
Margarida Talapa agradece apoio de Angola
Na oportunidade, a Presidente da Assembleia da República de Moçambique, Margarida Talapa, agradeceu a ajuda humanitária disponibilizada por Angola às famílias afectadas pelas cheias e inundações no Sul e Centro do seu país.
Margarida Talapa, que discursava na sessão solene especial, adiantou que o gesto de solidariedade de Angola “é a expressão maior de amor e fraternidade entre povos irmãos”.
No plano parlamentar, manifestou total disponibilidade para colocar as relações entre ambos os parlamentos no mesmo estágio, em que se encontram as relações entre os governos de Angola e Moçambique.
Sobre o Programa Cooperação Parlamentar, sublinhou que o mesmo preconiza visitas e troca de experiências entre comissões de trabalho dos dois parlamentos, em áreas de interesse comum, como refinarias de petróleo, segurança alimentar, coesão social, gestão de recursos hídricos e administração e comunicação parlamentar.
No quadro das relações inter-parlamentares, informou que a Assembleia da República de Moçambique apoia a candidatura de Angola a Vice-presidente do Parlamento Pan-Africano, motivada pelos laços históricos que unem os dois países e a representatividade linguística.
Defendeu que a cooperação parlamentar pode viabilizar as acções dos governos, com vista a mitigar os efeitos das mudanças climáticas, contribuir para a estabilidade política e erradicar o terrorismo, factores que afectam as economias dos países e que condiciona o desenvolvimento de África.