Angola reconhece importância de assegurar mercados energéticos estáveis
Luanda - O representante permanente de Angola junto das Nações Unidas, Francisco José da Cruz, sublinhou, esta sexta-feira, em Nova Iorque, que Angola reconhece a importância de assegurar mercados energéticos estáveis e fiáveis, e defende a promoção de uma transição energética justa, equilibrada e inclusiva que respeite as realidades nacionais e as prioridades de desenvolvimento.
Francisco José da Cruz falava na reunião especial do Conselho Económico e Social (ECOSOC) sobre a salvaguarda dos fluxos de energia e abastecimento e o apoio ao desenvolvimento global através da cooperação internacional, que abordou as perturbações críticas e contínuas nas cadeias de energia e de abastecimento, que estão a causar impactos globais no comércio, segurança alimentar e estabilidade macro-económica.
Na ocasião, Francisco José da Cruz salientou que as recentes perturbações nos fluxos de energia e de abastecimento expuseram, uma vez mais, as vulnerabilidades estruturais dos países em desenvolvimento, particularmente em África.
Segundo disse, o aumento dos preços da energia, as pressões inflacionistas, as perturbações no comércio e na logística e o crescente endividamento continuam a afectar as economias e o quotidiano das populações.
Referiu que para Angola, a salvaguarda dos fluxos energéticos e de abastecimento está fundamentalmente ligada ao desenvolvimento, industrialização, segurança alimentar, erradicação da pobreza e estabilidade regional.
Assinalou que Angola considera que o reforço das infra-estruturas e da conectividade é essencial para aumentar a resiliência, face a futuras perturbações globais.
Destacou a importância estratégica do Corredor de Lobito, como uma iniciativa africana concreta destinada a melhorar a conectividade regional, facilitar o comércio e apoiar a integração económica em todo o continente, em consonância com os objectivos da Zona de Livre Comércio Continental Africana.
Disse que o corredor representa um contributo importante para a construção de cadeias de abastecimento mais resilientes, promoção de cadeias de valor regionais e apoio à transformação económica sustentável em África.
Francisco José da Cruz manifestou preocupação com a redução do espaço orçamental enfrentado por muitos países em desenvolvimento, particularmente em virtude do aumento dos custos do serviço da dívida e do acesso limitado a financiamento acessível.
Reiterou a importância do reforço da cooperação internacional, melhoria do acesso ao financiamento concessional e apoio a investimentos em infra-estruturas resilientes e em desenvolvimento sustentável.
“Os desafios que enfrentamos reafirmam a necessidade urgente de um sistema económico internacional mais equitativo e orientado para o desenvolvimento, capaz de responder eficazmente às realidades e prioridades dos países em desenvolvimento”, enfatizou.
Reafirmou o compromisso de trabalhar em prol de soluções práticas e cooperativas que reforcem a resiliência, promovam o desenvolvimento sustentável e garantam que nenhum país fique para trás.
Reiterou a aposta na diversificação da sua matriz energética, incluindo a hidro-electricidade, a energia solar e os programas de electrificação rural, visando alargar o acesso a energia acessível e sustentável, sublinha uma nota de imprensa da Missão Permanente de Angola junto das Nações Unidas, em Nova Iorque.