Durão Barroso defende reforço dos mecanismos de garantias em acordos de paz
Luanda - O antigo primeiro-Ministro português, Durão Barroso, destacou, esta terça-feira, em Luanda, a importância da mediação e do diálogo na resolução de conflitos, e defendeu o reforço dos mecanismos de garantia, após a assinatura de acordos de paz, de modo a evitar o reacender da guerra.
Durão Barroso, que discursava no âmbito da conferência sobre o “35.º Aniversário dos Acordos de Bicesse”, realizada na Academia Diplomática Venâncio de Moura, sublinhou que alcançar a paz é um desafio muito mais complexo do que iniciar uma guerra.
Defendeu que, para o sucesso de um processo de paz, é fundamental salvaguardar as condições externas e internas do conflito, e evitar que estas comprometam os esforços de mediação e a procura de uma solução duradoura.
A Conferência Internacional sobre os Acordos de Bicesse, por ocasião do trigésimo quinto aniversário da sua assinatura, em Portugal, contou com a participação de alguns dos seus protagonistas, que partilharam as suas visões e reflexões sobre o difícil e complexo processo negocial em busca de uma saída adequada e viável para a instauração da paz em Angola.
O antigo primeiro-ministro de Portugal disse que recordar Bicesse, 35 anos depois, é revisitar um pouco da História de Angola, marcada por ódios, medos, desconfianças e traumas, mas cuja beleza reside no culto à paciência contra a resignação e na capacidade de aceitar e acreditar na força do diálogo como premissa de construção de consensos importantes e necessários para edificar um futuro comum.
Disse ainda que recordar Bicesse é buscar a compreensão dos pilares do presente político desanuviado que Angola vive e consolida dia após dia.
Por sua vez, o ministro das Relações Exteriores, Téte António, explicou que a realização da conferência é também uma forma singela de o seu ministério associar-se às homenagens que a pátria tributa aos protagonistas da história que participaram das diversas fases que constituíram o longo caminho para a busca da tão almejada paz, que permitiu o reencontro e a reconciliação da grande família angolana.
Téte António recordou que, fruto das várias iniciativas de paz bem-sucedidas, o Presidente da República, João Lourenço, foi designado, pela União Africana, Campeão para a Paz e Reconciliação em África, resultado de "um amplo consenso sobre o investimento diplomático que o Estado angolano dedica à causa da paz".
Importa recordar que os Acordos de Bicesse foram assinados, a 31 de Maio de 1991, em Portugal, entre o Governo angolano e a UNITA, que estabeleceram o cessar-fogo e prepararam Angola para as suas primeiras eleições multipartidárias.
Os acordos foram assinados pelo Presidente José Eduardo dos Santos, e pelo líder da UNITA, Jonas Malheiro Savimbi, com a mediação de Portugal e apoio dos Estados Unidos da América e da antiga União Soviética.
Assistiram a conferência, entre outras individualidades, Laurinda Cardoso, Presidente do Tribunal Constitucional, Bornito de Sousa, antigo Vice-Presidente da República, Lopo do Nascimento, antigo primeiro-ministro angolano, deputados, membros do Corpo Diplomático acreditado em Angola, dirigentes de partidos políticos e estudantes universitários.