Josefa Sacko defende produção de alimentos em África sensíveis à nutrição
Luanda - A produção de produtos no continente deve tornar-se mais sensível à nutrição, para promover alimentos diversificados e ricos em nutrientes, em vez de apenas fornecer calorias básicas.
A afirmação foi feita pela embaixadora de Angola na Itália, Josefa Sacko, quando intervinha, quarta-feira, no evento da semana da implementação do programa compreensivo de desenvolvimento da agricultutra em África (CAADP ) com enfoque na nutrição.
“Este é o pilar nutricional do quadro de Kampala, que apela à segurança alimentar e nutricional em todo o continente, afim de redirecionar os modelos de investimento agrícola para integrar os alimentos tradicionais e indígenas africanos, que prevaleceram nas dietas de gerações anteriores”, frisou, citada num comunicado de imprensa.
A ex-comissária da União Africana para o departamento da agricultura, desenvolvimento rural, economia azul e ambiente sustentável, sublinhou que a agricultura deve estar deliberadamente ligada à saúde, segurança alimentar, porque os alimentos inseguros e os riscos de doença comprometem os ganhos nutricionais, incluindo as dietas saudáveis devem tornar-se acessíveis e a preços razoáveis.
Josefa Sacko afirmou que a nova estratégia e o plano de ação do CAADP, assentam numa abordagem centrada, nos sistemas agroalimentares que contém indicadores para além da produção e dos rendimentos, abrangendo todos factores de produção, transformação, armazenamento, comércio, segurança alimentar, nutrição, resiliência, emprego e governação.
Neste contexto, disse que a transformação esperada é económica e social: economias diversificadas, emprego local, rendimentos mais elevados, maior coesão social e maior estabilidade através de um melhor desempenho dos sistemas alimentares.
Salientou que para a sua implementação, implica que os investimentos públicos nacionais e regionais , devem estar focados e sensíveis à nutrição, bem como, ações direcionadas para mulheres, crianças, jovens e grupos vulneráveis, afim do continente sair da “ zona negra ” da nutrição.
“O principal desafio é passar do compromisso à execução. África já assumiu compromissos firmes anteriormente, mas a implementação tem sido frequentemente irregular. Kampala exige, portanto, a integração obrigatória nos NASIP e RASIP, uma disciplina de execução mais rigorosa e acordos de implementação mais claros a nível nacional, ações mensuráveis que possam ser acompanhadas ao longo do tempo”, defendeu a diplomata .
As metas para este novo ciclo até 2035 são ambiciosas: fome zero, uma redução de 25% no atraso no crescimento, na emaciação e no excesso de peso, e 60% da população com condições para uma dieta saudável.
O seu período de implementação que teve início no corrente ano e estende-se até 2035 está alinhado com os planos de investimento e execução, nacionais e regionais , cuja visão é clara: sistemas agroalimentares sustentáveis e resilientes para uma África saudável e próspera, mais sólida para passar da aspiração à concretização.