LITERATURA

Literatura constitui uma "força silenciosa, poderosa"

Literatura constitui uma "força silenciosa, poderosa"Imagem: DR

09/05/2026 06h19

Luanda – O ministro de Estado e Chefe da Casa Civil do Presidente da República, Dionísio da Fonseca, destacou, sexta-feira, em Luanda, a literatura como uma "força silenciosa, mas poderosa" que serviu de alicerce para a conquista da Independência Nacional.

Ao discursar no lançamento da colecção literária "Angola 50 Livros, 50 Autores", inserida no 50º aniversário da Independência Nacional, assinalado a 11 de Novembro último, o governante sublinhou que a história do país não se escreve apenas com factos políticos e batalhas militares, mas também com a produção intelectual de quem ajudou a construir a ideia de nação.

"A literatura foi uma trincheira intelectual, onde se travou a luta contra a dominação colonial", afirmou.

Dionísio da Fonseca recordou o papel dos movimentos culturais, como o da Casa dos Estudantes do Império, em Lisboa, onde germinou a consciência nacionalista.

O ministro de Estado rendeu homenagem as figuras que lutaram pela conquista da independência, com destaque para António Agostinho Neto, cuja obra "Sagrada Esperança" transformou a dor da opressão em promessa de liberdade, servindo de convocação colectiva para a dignidade.

Citou igualmente o contributo de Viriato da Cruz e de Mário Pinto de Andrade, que defenderam a premissa de que a independência política exigia, primeiro, uma libertação mental e cultural.

Dionísio da Fonseca lembrou que a escrita foi uma forma de resistência activa, mesmo nos períodos de maior repressão, circulando clandestinamente em campos de concentração e prisões como o Tarrafal, São Paulo e São Nicolau.

Relativamente à colecção agora lançada, o governante explicou que o projecto visa celebrar meio século de história, identidade e pensamento angolano.

Exaltou o contributo de autores que, como Pepetela, continuaram a narrar a construção da nação no pós-independência.

"Enquanto houver literatura, haverá memória. Enquanto houver memória, haverá identidade. Enquanto houver identidade, Angola continuará a afirmar-se livre, soberana e orgulhosa do seu destino", declarou.

Em nome do Presidente da República, João Lourenço, agradeceu o empenho da Assembleia Nacional, da União dos Escritores Angolanos, da Academia Angolana de Letras e da Mayamba Editora na concretização deste projecto editorial, que considerou fundamental para o desenvolvimento da "Nova Angola".

A cerimónia contou com a presença do presidente da Assembleia Nacional, Adão de Almeida, de membros do Executivo e figuras do panorama cultural angolano.

A independência de Angola foi proclamada na madrugada de 11 de Novembro de 1975, pelo Presidente António Agostinho Neto.

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