Angola participa em workshop sobre mulher africana nos processos de paz
Luanda – A secretária de Estado para as Relações Exteriores, Esmeralda Mendonça, participou, quarta-feira última, em Madrid (Espanha), num workshop sobre a mulher africana nos processos de paz.
Na abertura do evento, que decorreu à margem da quinta Conferência sobre Política Exterior Feminista, o ministro dos Assuntos Exteriores, União Europeia e Cooperação da Espanha, José Manuel Albares, defendeu a importância da estratégia de cooperação do seu país com África.
Considerou que a cooperação Espanha-África apresenta iniciativas que promovem a afirmação da mulher, e sublinhou que os desafios da mulher africana devem constituir preocupação para todas as nações.
Segundo disse, em pleno século XXI as mulheres não podem ficar ausentes dos processos negociais e devem ser consideradas na identificação de soluções.
Recordou que paz não é somente a ausência de armas, é também a presença de direitos, e enfatizou que é importante ter-se em conta que a paz só será sustentável quando se consegue ajudar e defender os mais necessitados.
Participaram no workshop Azza Mustafa, directora do Escritório Sudanês de Gestão de Conflito e Dinâmicas Internacionais, Nana Alassane Touré, especialista em questões de género do Centro de Estudos Estratégicos sobre o Sahel, Fadhila Mammar, assessora e especialista em Mediação e Esther Njomo Omam, directora executiva da ONG Reach Out Camerún.
No quadro da sua agenda em Madrid, a secretária de Estado para as Relações Exteriores, Esmeralda Mendonça, participou, terça-feira última, na quinta Conferência sobre Política Exterior Feminista, onde discursou no painel dedicado a "paz e democracia face aos desafios do século XXI: uma abordagem feminista à política externa".
Na ocasião, Esmeralda Mendonça partilhou experiências de liderança de mulheres africanas, em particular angolanas, na prevenção de conflitos e coesão social, e defendeu que não há paz duradoura sem a participação efectiva das mulheres e não basta reconhecer o papel das mesmas, é preciso garantir a sua participação real nos processos de decisão.
Realçou que a liderança feminina não deve ser vista numa perspectiva numérica ou como opção, mas sim como parte da solução.
Destacou os avanços na promoção da igualdade e equidade de género, e deu a conhecer que as mulheres estão representadas na Assembleia Nacional, na ordem dos 39,1 por cento, no Executivo, 28,5, e na diplomacia, 23,4, dados que considerou resultar do compromisso contínuo em melhorar a representação de feminina nos cargos políticos e de decisão.
A Bienal de Luanda e a Rede de Mulheres Líderes Africanas foram apresentadas como iniciativas africanas de promoção da paz e lideranças femininas, no quadro de resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas, Mulher Paz e Segurança.
Presidiu a abertura da conferência, o ministro dos Assuntos Exteriores, União Europeia e Cooperação de Espanha, José Manuel Albares, que destacou a importância de haver maior abertura às mulheres no sistema internacional, especialmente nos processos de negociação e resolução de conflitos.
Afirmou que o seu país é favorável a candidatura de uma mulher ao cargo de secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU).
Participaram na conferência 60 delegações ministeriais e organizações internacionais, destacando-se ministras das Relações Exteriores e dos Negócios Estrangeiros, a directora executiva da ONU Mulheres, Sima Bahous, a representante especial do Secretário-Geral da ONU sobre Violência Sexual em Conflitos, Pramila Patten, e a directora executiva do Fundo das Nações Unidas para a População (FNUAP), Diene Keita.
Os participantes na Conferência sobre Política Exterior Feminista aprovaram uma Declaração Política Conjunta que defende a construção de sociedades pacíficas e democráticas por meio da igualdade de género, direitos humanos e política externa feminista.
A delegação angolana integrou a embaixadora de Angola em Espanha, Balbina da Silva, e a directora para a Europa do Ministério das Relações Exteriores, Maria Cuandina de Carvalho.
Angola aproveitou a ocasião para divulgar a candidatura de Josefa Sacko ao cargo de directora-geral do Fundo das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), dá conta uma nota de imprensa da Embaixada de Angola em Espanha.