Angola reitera contribuição de cinco milhões de dólares para o Centro Africano de Doenças
Luanda - Angola reafirmou o cumprimento integral da sua contribuição voluntária de cinco milhões de dólares a favor do Centro Africano de Controlo e Prevenção de Doenças (África CDC) e apelou aos parceiros de desenvolvimento a converterem as manifestações de solidariedade em apoio orçamental directo ao Plano Conjunto de Preparação e Resposta, co-liderado pela Organização Mundial da Saúde.
A posição foi apresentada, terça-feira, pela ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta, em representação do Presidente da República, João Lourenço, na Reunião de Alto Nível dos Chefes de Estado e de Governo da União Africana e dos Parceiros sobre a Epidemia do Ébola, realizada em formato virtual por iniciativa do Africa CDC.
Na ocasião, a governante informou que Angola procedeu à actualização do Plano Nacional de Contingência Multissectorial de Prevenção, Preparação e Resposta à Doença por Vírus do Ébola, em alinhamento com o plano continental do Africa CDC e da Organização Mundial da Saúde.
Segundo a ministra, citada pelo JA Online, foram igualmente reforçadas a vigilância epidemiológica e laboratorial, a prontidão das equipas de resposta, a vigilância sanitária nos pontos de entrada no território nacional, com especial incidência nas fronteiras terrestres e aeroportos.
O Executivo angolano tem estado a formar profissionais de saúde e sectores estratégicos do Estado, bem como realizar exercícios de simulação e acções de comunicação de risco com o envolvimento comunitário.
“É imperativo aplicar estas metodologias de diagnóstico precoce, garantindo o normal funcionamento e o cumprimento integral da agenda das nossas organizações regionais e continental, protegendo a saúde pública sem estrangular o comércio legítimo, evitando barreiras unilaterais que penalizam as economias locais. É por isso que esta crise deve acelerar a nossa agenda de soberania sanitária”, afirmou.
Sílvia Lutucuta defendeu também a integração das lideranças tradicionais e religiosas nas acções de comunicação de risco, de modo a assegurar a colaboração activa das populações na identificação precoce de casos suspeitos.
Para a titular do sector da Saúde, a gravidade da conjuntura actual exige que África reforce a sua capacidade de actuação concertada, solidária e resoluta perante uma ameaça directa à segurança sanitária e à integridade dos povos do continente.
“Determino a urgência dos Estados-membros intensificarem a partilha de dados epidemiológicos, a sequenciação genómica em tempo real, sob a coordenação do Africa CDC. A omissão ou atraso na transmissão de dados estatísticos resulta na perda irreparável de vidas humanas”, frisou.
De acordo com a responsável, os dados partilhados durante o encontro demonstraram a complexidade operacional da resposta em curso e o risco iminente de propagação transfronteiriça, cenário que exige firmeza política, coordenação estratégica centralizada e célere mobilização de recursos.
“Devemos fortalecer a investigação científica, expandir a produção local de vacinas, medicamentos e meios de diagnóstico e reforçar as capacidades africanas de resposta às emergências de saúde pública”, acrescentou.