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Experiência da CIVICOP apresentada como exemplo de reconciliação

Embaixador Francisco da Cruz
Embaixador Francisco da Cruz Imagens: Cedida

Redacção

Publicado às 14h43 27/06/2026

Luanda – O representante permanente de Angola junto das Nações Unidas, Francisco José da Cruz, apresentou, esta quinta-feira, em Nova Iorque, os progressos alcançados por Angola na promoção da reconciliação nacional e coesão social, através da Comissão para a Reconciliação em Memória das Vítimas dos Conflitos Políticos (CIVICOP).

Na ocasião, apontou a iniciativa como uma importante contribuição para os esforços de consolidação de uma paz duradoura, quando intervinha na sessão anual da Comissão de Consolidação da Paz, realizada no quadro das celebrações do vigésimo aniversário da Arquitectura de Consolidação da Paz da ONU.

O diplomata angolano destacou que a trajectória do seu país demonstra a importância da apropriação nacional, do diálogo inclusivo e das parcerias sustentadas na prevenção de conflitos e na promoção da estabilidade.

Sublinhou que, após décadas de conflito, o país tem vindo a consolidar a paz, através do fortalecimento das instituições, reconstrução nacional e valorização de iniciativas voltadas para a cura das feridas do passado.

Realçou o papel desempenhado pela CIVICOP na localização, identificação e entrega dos restos mortais das vítimas dos conflitos políticos, ocorridos entre 1975 e 2002, às respectivas famílias.

O processo, segundo disse Francisco José da Cruz, permitiu a realização de cerimónias fúnebres condignas e representou um importante gesto de reconhecimento, respeito e solidariedade para com milhares de cidadãos afectados por esse período da história nacional.

Salientou que a iniciativa demonstra que o tratamento responsável do legado dos conflitos constitui um elemento essencial para fortalecer a confiança entre os cidadãos, preservar a memória coletiva e reforçar a unidade nacional.

“A abordagem adoptada assenta em princípios de dignidade humana, inclusão e respeito pelas vítimas, contribuindo para a construção de uma sociedade mais coesa e resiliente”, ressaltou.

Durante a sua intervenção, defendeu um maior investimento internacional na prevenção de conflitos e na consolidação da paz, sublinhando a necessidade de uma actuação mais integrada e sustentável das Nações Unidas no apoio às prioridades definidas pelos Estados.

Reiterou que os resultados mais duradouros são alcançados quando as respostas internacionais complementam os esforços nacionais e permanecem para além das fases imediatas de pós-conflito.

Reafirmou a determinação de Angola em continuar a promover a diplomacia preventiva, o diálogo inclusivo e a partilha de experiências com países em processo de recuperação pós-conflito, contribuindo para os esforços internacionais de promoção da paz, estabilidade e desenvolvimento sustentável.

Reafirmado compromisso com a protecção das crianças afectadas por conflitos

Por outro lado, durante o Debate Aberto do Conselho de Segurança sobre Crianças e Conflitos Armados, o embaixador Francisco José da Cruz evidenciou os progressos alcançados, no âmbito da agenda das Nações Unidas, incluindo a libertação de mais de 220 mil crianças anteriormente associadas a forças e grupos armados.

Apesar destes avanços, manifestou preocupação com a persistência de graves violações contra crianças em contextos de conflito, particularmente em África, e defendeu o reforço da protecção infantil nos processos de prevenção e resolução de conflitos, bem como a responsabilização dos autores dessas violações.

Ao assinalar o trigésimo aniversário da agenda Crianças e Conflitos Armados, Angola apelou ao reforço do apoio político, técnico e financeiro da comunidade internacional para assegurar a continuidade dos progressos alcançados.

Angola reiterou que a protecção das crianças deve permanecer no centro dos esforços internacionais de promoção da paz e da segurança, reafirmando o compromisso do país com a defesa dos direitos e do bem-estar das crianças afectadas por conflitos armados, indica uma nota de imprensa da Missão Permanente angolana junto das Nações Unidas, em Nova Iorque.

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