MIGRAçãO
SME no Zaire denuncia rede de auxílio à imigração ilegal para Luanda
07/06/2026 09h44
Soyo - O chefe do Serviço de Migração e Estrangeiros (SME) no município do Nzeto (província do Zaire), Lourenço Mendes Cabral, denunciou, sexta-feira, uma alegada conivência de algumas operadoras de transporte interprovincial no tráfico de imigrantes ilegais para Luanda.
O responsável apontou a falta de fiscalização rigorosa na emissão de bilhetes de passagem, sobretudo no que respeita à identificação dos passageiros, como um dos principais factores que facilita a mobilidade de cidadãos estrangeiros em situação migratória irregular, segundo a ANGOP.
Lourenço Mendes Cabral, que falava à margem da primeira reunião de Coordenação dos Órgãos que intervêm na administração da justiça, afirmou que há indícios de envolvimento de funcionários de algumas empresas de transporte, que facilitam a aquisição de bilhetes por parte de estrangeiros ilegais, muitas vezes com recurso a documentos de identificação alheios.
“Os envolvidos têm ligações com funcionários das operadoras e introduzem imigrantes ilegais nos autocarros, eventualmente a troco de valores monetários, utilizando Bilhetes de Identidade de terceiros”, explicou.
Acrescentou que alguns desses cidadãos recebem orientação prévia para se fazerem passar por legítimos titulares dos documentos durante eventuais controlos policiais existentes ao longo do percurso Zaire/Luanda.
A fonte revelou ainda que viaturas particulares, taxistas e camionistas também integram a suposta rede de auxílio à imigração ilegal, sendo que, em alguns casos, os imigrantes são transportados escondidos em compartimentos de ferramentas, numa tentativa de ludibriar as autoridades.
Acrescentou que que essas viaturas chegam a transportar, em média, até 15 imigrantes ilegais, tendo a Polícia Nacional no Nzeto apreendido, nos últimos dias, nove viaturas por envolvimento neste tipo de negócio.
Lourenço Mendes Cabral considerou preocupante a situação e apelou ao envolvimento das forças vivas da sociedade no combate ao fenómeno, por representar uma ameaça à segurança e soberania nacional.
Referiu-se à uma suposta rede organizada de tráfico de imigrantes, com ramificações no exterior do país, que facilita a obtenção fraudulenta de documentos nacionais por cidadãos estrangeiros, alguns dos quais chegam a transitar por Luanda e a fixar residência em países como os Estados Unidos da América.
O responsável defendeu o agravamento da moldura penal para os crimes de promoção e auxílio à imigração ilegal, à semelhança das medidas adoptadas no combate ao contrabando de combustível, que, segundo disse, têm produzido resultados positivos.