Chefes militares africanos reafirmam compromisso com a paz e segurança
Luanda – O chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas Angolanas (FAA), general de aviação Altino dos Santos, referiu esta terça-feira, em Luanda, que os responsáveis militares africanos mantêm o compromisso de defender a paz, segurança, estabilidade política e social dos seus países.
Ao encerrar a Conferência dos Chefes de Estado-Maior e de Defesa África 2026 (ACHOD26), Altino dos Santos destacou que os debates realizados permitiram renovar os compromissos assumidos pelos líderes militares, e sublinhou a importância da cooperação entre as nações.
Recordou que cabe aos chefes militares trabalharem para tornar os países livres de conflitos armados, de mortes desnecessárias, destruição e deslocações forçadas de populações, factores que comprometem o desenvolvimento económico, social e a prosperidade dos povos.
Manifestou o desejo de que o diálogo franco, respeito mútuo, convergência de visões estratégicas alcançados durante a conferência se traduzam em decisões concretas capazes de reforçar a segurança regional, estreitar a parceria entre o AFRICOM e os países africanos, bem como contribuir para uma paz duradoura no continente.
Altino dos Santos reiterou ainda que Angola continuará, através das Forças Armadas Angolanas (FAA), a contribuir para a paz e estabilidade regional, defendendo que a segurança em África deve ser construída com respeito pela soberania de cada Estado e união de esforços entre as nações africanas.
Ao discursar via online, o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas dos Estados Unidos, general Dan Caine, defendeu a necessidade de uma resposta conjunta aos desafios da segurança global, sublinhando que a estabilidade de África é determinante para a paz e prosperidade internacional.
Afirmou que os líderes militares devem adoptar uma postura proactiva, perante as ameaças que afectam as economias, as instituições e a segurança dos Estados.
Segundo Dan Caine, os conflitos actuais tornaram-se mais complexos, atravessam fronteiras, domínios, são potenciados pelo rápido avanço tecnológico, incluindo drones, inteligência artificial, disseminação acelerada da informação e desinformação.
Destacou que África ocupa uma posição estratégica no mundo, alberga algumas das economias com maior crescimento e concentra cerca de 30 por cento dos minerais críticos, factores que tornam a soberania e a estabilidade do continente essenciais para a ordem internacional.
Defendeu, por isso, o reforço das parcerias entre os países, considerando que nenhuma nação consegue enfrentar sozinha ameaças como o extremismo violento, a insegurança marítima e a acção de actores mal-intencionados que exploram situações de instabilidade.
Por seu lado, o comandante do Comando dos Estados Unidos para África (AFRICOM), general Dagvin Anderson, defendeu o reforço da cooperação internacional, da inovação, formação das novas gerações de líderes militares como pilares para responder aos desafios da segurança no continente africano.
Afirmou que os desafios actuais exigem capacidade de adaptação permanente, aprendizagem contínua e uma visão comum entre os parceiros, destacando a importância de envolver as novas gerações, por considerar que os jovens compreendem melhor as transformações tecnológicas e podem contribuir para soluções inovadoras, desde que aliem esse conhecimento à experiência dos actuais líderes.
Defendeu igualmente o reforço da segurança marítima, da logística e das comunicações, classificando estas áreas como elementos indispensáveis para o sucesso das operações militares.
Na mesma intervenção, apelou ao desenvolvimento de soluções locais sustentáveis, com maior envolvimento das empresas e da indústria africana, afirmando que a inovação não se resume à tecnologia, mas também a capacidade de encontrar novas formas de responder aos desafios.
Dagvin Anderson anunciou ainda a realização, este mês, do Simpósio Africano de Logística e Comunicações, em Addis Abeba (Etiópia), e da Conferência dos Líderes Militares Graduados Africanos, prevista para Setembro, no Gabão, iniciativas destinadas a reforçar a cooperação e a capacitação dos parceiros.