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Ministra de Estado defende capital humano qualificado para transformar África

Foto de família dos altos dirigentes angolanos e africanos que participam no Fórum Internacional da Mulher para a Paz e Democracia
Foto de família dos altos dirigentes angolanos e africanos que participam no Fórum Internacional da Mulher para a Paz e Democracia Imagens: Edições Novembro

Redacção

Publicado às 09h48 10/07/2026 - Actualizado às 09h48 10/07/2026

Luanda - A ministra de Estado para a Área Social, Maria do Rosário Bragança, afirmou, esta quinta-feira, em Luanda que a transformação de África depende da formação de um capital humano qualificado e capacitado para responder aos principais desafios que o continente enfrenta.

Maria do Rosário Bragança discursava na abertura do segundo Fórum Internacional da Mulher para a Paz e Democracia, que decorre até esta sexta-feira, sob o lema "Transformar África: empoderando mulheres na liderança para a paz e o crescimento inclusivo do continente".

Na ocasião, identificou a pobreza, conflitos armados, insegurança alimentar,  desemprego juvenil, desigualdades sociais, limitações no acesso à educação, saúde e oportunidades económicas e os impactos das alterações climáticas como principais obstáculos ao desenvolvimento de África 

Defend que transformar o continente, além de crescimento económico, implica a construção de instituições mais inclusivas, o fortalecimento da democracia, a promoção da justiça social e a garantia de que as mulheres africanas possam exercer plenamente os seus direitos e contribuir, em igualdade de oportunidades, para o progresso das suas sociedades.

Na sua visão, África possui inúmeros exemplos de mulheres que, apesar das adversidades e dos conflitos, desempenharam e continuam a desempenhar um papel determinante na defesa dos direitos, justiça e  liberdade, através do activismo, liderança comunitária e promoção do desenvolvimento

Reafirmou o compromisso do Executivo angolano com a promoção da igualdade de género e empoderamento das mulheres, no âmbito das políticas de desenvolvimento do capital humano.

Adiantou que Angola tem vindo a consolidar políticas públicas orientadas para a promoção da igualdade de género, em alinhamento com o Objectivo de Desenvolvimento Sustentável 5 da Agenda 2030 das Nações Unidas, que prevê alcançar a igualdade de género e empoderar todas as mulheres e raparigas.

Revelou que o Executivo angolano prepara a revisão do Plano Nacional de Acção para a implementação da Resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas sobre Mulheres, Paz e Segurança, com vista a reforçar a participação feminina nos processos de paz e segurança.

A ministra de Estado destacou que a paz constitui o maior património de qualquer nação e lembrou que Angola conhece profundamente o valor da estabilidade, após os impactos humanos, sociais e económicos provocados pelo conflito armado que viveu.

Disse que a paz não se resume à ausência de guerras, mas exige justiça, inclusão, diálogo, igualdade de oportunidades e a capacidade de cada sociedade reconhecer o valor de todos os cidadãos.

Para Maria do Rosário Bragança, a liderança das mulheres deixou de ser apenas uma aspiração e passou a constituir uma necessidade estratégica para garantir um futuro sustentável e inclusivo.

Reconheceu o contributo das mulheres africanas na preservação da paz, coesão das famílias, educação das novas gerações, dinamização das economias locais e construção de sociedades mais justas e solidárias.

Referiu que persistem desafios que limitam a plena participação feminina na vida política, económica e social, como as desigualdades no acesso à educação, financiamento, propriedade, tecnologias, emprego digno e espaços de liderança, além da violência baseada no género.

O segundo Fórum Internacional da Mulher para a Paz e Democracia resulta da parceria entre o Governo de Angola e da União Africana, através do Gabinete da Enviada Especial do Presidente da Comissão da União Africana para Mulheres, Paz e Segurança.

O encontro, que antecede a realização da quarta Bienal de Luanda – Fórum Pan-Africano para a Cultura de Paz, integra a agenda do Presidente da República, João Lourenço, enquanto Campeão da União Africana para a Paz e Reconciliação em África.

Entre os temas em agenda figuram os 25 anos da Resolução 1325 do Conselho de Segurança das Nações Unidas sobre Mulheres, Paz e Segurança, o reforço da liderança feminina nos mecanismos de paz e segurança, a emancipação económica das mulheres através da inclusão financeira e tecnológica, o papel da cultura e da religião na promoção da paz e o contributo das mulheres para o fortalecimento da resiliência das comunidades face às alterações climáticas.

O encontro constitui uma plataforma de diálogo político destinada a reforçar a cooperação entre governos, parceiros internacionais e organizações da sociedade civil na promoção da igualdade de género e da participação das mulheres nos processos de desenvolvimento do continente.

Angola tem registado avanços na participação das mulheres nos espaços de decisão, com uma representação feminina de cerca de 28 por cento no Executivo central, 39,5 na Assembleia Nacional e perto de metade dos magistrados no sector da Justiça.

No Executivo, as mulheres ocupam cargos de destaque, incluindo a Vice-Presidência da República, ministérios, secretarias de Estado e governos provinciais.

No domínio da diplomacia, representam 23,4 por cento dos cargos de representação externa do país.

Mulheres no centro da decisão são condição para paz duradoura - Ministra Ana Paula Sacramento Neto

Por seu lado, a ministra da Acção Social, Família e Promoção da Mulher, Ana Paula do Sacramento Neto, declarou que a participação das mulheres nos espaços de decisão constitui uma condição indispensável para a consolidação da paz e da democracia em África.

Segundo disse, a liderança feminina deixou de representar apenas uma aspiração para assumir um papel estratégico na construção de sociedades mais estáveis e democráticas.

Ana Paula do Sacramento Neto destacou que as mulheres africanas desempenharam, ao longo da história, um papel determinante na mediação de conflitos, reconstrução das comunidades, educação das novas gerações e dinamização das economias locais, apesar de esse contributo nem sempre ter recebido o devido reconhecimento.

Considerou que valorizar a liderança das mulheres representa um acto de justiça, enquanto promover a sua participação constitui um imperativo democrático e investir no seu empoderamento económico traduz-se numa decisão estratégica para o desenvolvimento.


Afirmou que a paz ultrapassa a ausência de conflitos armados e constrói-se diariamente por meio da justiça, da inclusão, do diálogo e da igualdade de oportunidades

Defendeu igualmente que África dispõe de uma oportunidade para consolidar um novo modelo de desenvolvimento assente na paz, na boa governação, na integração regional e na valorização do capital humano.

Sublinhou que as mulheres devem ocupar o centro dos processos de decisão, da mediação, da inovação e da liderança, sustentando que a sua participação fortalece as instituições, torna as comunidades mais resilientes, reforça a democracia e consolida a paz.

Apelou aos participantes para transformarem os compromissos internacionais e africanos em políticas públicas eficazes, capazes de produzir resultados concretos em benefício das populações, e manifestou o desejo de que o fórum contribua para o reforço da cooperação entre os Estados e as instituições africanas e para a formulação de propostas que influenciem políticas públicas orientadas para a paz, democracia, igualdade de género e desenvolvimento sustentável.

Afirmou que o progresso de África depende da capacidade de investir no talento, inteligência e liderança das mulheres, salientando que "quando as mulheres avançam, avança a paz; quando a paz se consolida, fortalece a democracia; e quando paz, democracia e desenvolvimento caminham juntos, avança o continente africano".

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