CPLP celebra 30 anos com aposta no reforço da cooperação
Luanda – A secretária executiva da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), Fátima Jardim, afirmou, esta sexta-feira, que o reforço da cooperação entre os Estados-membros constitui um dos principais desafios da organização para as próximas décadas para fazer face aos desafios globais.
A posição foi expressa na mensagem alusiva ao 30.º aniversário da CPLP, assinalado esta sexta-feira, na qual a responsável revisita o percurso da organização, destaca os ganhos alcançados desde a sua criação e aponta os desafios que se colocam à comunidade.
Na mensagem publicada no site da organização, Fátima Jardim recordou que a 17 de Julho de 1996, Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe decidiram criar uma comunidade assente na língua portuguesa, não como um bloco económico, mas como um espaço de diálogo, cooperação e aproximação entre os povos.
Segundo a responsável, passados 30 anos, a CPLP consolidou a sua presença no panorama internacional, alargou a sua composição com a entrada de Timor-Leste, em 2002, e da Guiné-Equatorial, em 2014, e abriu-se à participação de observadores associados e consultivos, de modo a reforçar as parcerias com Estados, organizações internacionais e a sociedade civil.
Na mensagem, realçou que esse crescimento confirma a relevância da organização no fortalecimento da cooperação entre os seus membros e no apoio ao sistema multilateral, num contexto internacional cada vez mais complexo.
Fátima Jardim salientou que a CPLP privilegiou, desde a sua fundação, o diálogo, a concertação político-diplomática e a procura de soluções pacíficas para os conflitos, com o foco na preservação do respeito pela soberania dos Estados-membros.
Considerou que a comunidade se afirmou como um espaço singular de confiança e solidariedade, onde a língua portuguesa continua a representar o principal elo de união entre povos com diferentes realidades históricas, culturais e geográficas.
A responsável lembrou que a língua portuguesa, falada por cerca de 290 milhões de pessoas, ultrapassa a dimensão cultural e constitui hoje um instrumento de ciência, inovação, diplomacia, desenvolvimento económico e afirmação internacional.
No balanço das três décadas da organização, destacou o reforço da cooperação em domínios como educação, saúde, ciência, defesa, segurança alimentar, administração pública, governação electrónica e igualdade de género, bem como os avanços alcançados com o Acordo de Mobilidade, que aproxima cada vez mais os cidadãos da comunidade.
Fátima Jardim referiu que as mudanças geopolíticas, a revolução tecnológica, a digitalização, as alterações climáticas, a segurança energética, a resiliência dos sistemas alimentares, os desafios da saúde sustentável e o papel da juventude exigem uma CPLP mais unida e preparada para responder às novas exigências do desenvolvimento.
Neste quadro, defendeu o aprofundamento da mobilidade, o reforço da cooperação económica, a valorização da juventude e da inclusão e uma aposta clara para que a transformação digital e a inteligência artificial tenham igualmente a língua portuguesa como espaço de produção de conhecimento.
Reconheceu, por outro lado, que persistem assimetrias económicas entre os Estados-membros e desafios que afectam a estabilidade de alguns países, mas assegurou que a CPLP continuará a promover o Estado de direito, a democracia, a paz e o diálogo como fundamentos da prosperidade.
Na mensagem, reiterou que a força da organização reside na confiança construída entre os seus povos e na capacidade colectiva de enfrentar os desafios do presente e do futuro.
No final da comunicação, apelou ao reforço da amizade, da unidade na diversidade e da cooperação entre os povos de língua portuguesa, para que a CPLP continue a afirmar-se como uma voz respeitada na promoção da paz, do multilateralismo e do desenvolvimento.