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Josefa Sacko defende pilares fundamentais de renovação partilhada para a FAO

Embaixadora Josefa Sacko
Embaixadora Josefa Sacko Imagens: Cedida

Redacção

Publicado às 14h10 29/07/2026 - Actualizado às 14h10 29/07/2026

Roma - A embaixadora de Angola em Itália Josefa Correia Sacko reafirmou em Adis Abeba, Etiópia, que a nova visão para a liderança da Organização das Nações para a Alimentação e Agricultura (FAO), assenta em três pilares fundamentais: Renovação, Execução e Prosperidade Partilhada.

A diplomata angolana teceu estas considerações quando intervinha perante o comité de candidaturas na 49 sessão do Conselho Executivo da União Africana (CUA), afirmando que embora o mundo dispor de hoje de mais conhecimento, mais tecnologia e maiores capacidades científicas do que em qualquer outro momento da história, a fome persiste, a alimentação saudável continua fora do alcance de milhares de pessoas.

Ainda neste aspecto, considerou que as alterações climáticas intensificam-se, os conflitos desorganizam os mercados, o endividamento limita a capacidade de investimento dos Estados e as desigualdades continuam a afastar demasiados produtores do financiamento, da inovação tecnológica e dos processos de tomada de decisão.

“O problema já não consiste apenas em saber o que deve ser feito. Em muitos domínios, nós já sabemos. O verdadeiro desafio consiste em transformar conhecimento em acção, estratégias em investimentos, projectos-piloto em sistemas sustentáveis e compromissos internacionais em resultados concretos para os países”, frisou a candidata de Angola a liderança da FAO.

Josefa Sacko pretende levar acabo a iniciativa «Prioridade à Execução nos Países», com base na voluntariedade e no respeito pelo equilíbrio regional, acompanhando de 50 pactos nacionais e regionais de transformação agroalimentar durante os primeiros vinte e quatro meses.

Referiu que estes pactos não substituirão os planos nacionais, ajudarão a torná-los exequíveis, financiados e mensuráveis, incluindo o “ Pacto de Roma” para a concretização do objectivo fome zero, que deve estar envolvido , a FAO, o FIDA e o PAM , cujo objectivo será para o benefício dos países obterem diagnósticos coordenados de trajectórias comuns entre a emergência e o desenvolvimento, de carteiras de investimento coerentes e de responsabilidade partilhada pelos resultados.

“Outra inovação que está em carteira, é a plataforma global de preparação de investimentos agroalimentares. A FAO não é um banco e não deve torná-lo. Pode, no entanto, tornar-se o melhor parceiro técnico dos Estados para transformar as suas políticas em programas financiáveis, orçamentados, resilientes às alterações climáticas e prontos a serem financiados, bem como, um programa para o empoderamento económico das mulheres e dos jovens ”, afirmou.

Sublinhou que para tal, a tecnologia digital e a inteligência artificial deve reduzir as desigualdades e ajudar os países a desenvolver sistemas de dados abertos, responsáveis e controlados pelos estados, no respeito pela privacidade, pelos direitos e pela soberania, cujas ferramentas, vão estar ao serviço das explorações agrícolas, das comunidades de pescadores, das rotas pastorais, dos mercados, das cooperativas e da tomada de decisões públicas.

Neste particular, assegurou que a FAO vai reforçar o seu apoio às organizações de produtores, às cooperativas, à segurança alimentar e ao comércio regional à criação de valor local, incluindo a proteção social que vai articulada com a agricultura, a nutrição, a adaptação às alterações climáticas e o emprego rural.

“A fome resulta também da pobreza, dos conflitos, das crises e da perda dos meios de subsistência. Temos de proteger as famílias vulneráveis, ao mesmo tempo que preservamos a sua capacidade de produzir e de se reerguer”, referiu a também a representante de Angola junto das agências das Nações Unidas em Roma.

Por outro lado, garantiu que África traz uma experiência insubstituível para esta candidatura, pois, o continente conhece a vulnerabilidade, a inovação e as restrições orçamentais, mas também, da força das comunidades e do potencial do conhecimento local, da juventude e do empreendedorismo.

Disse que África construiu, ao longo de mais de vinte anos, um quadro continental para o investimento, a responsabilização mútua e a transformação agrícola e a “ Declaração de Kampala” e a sua estratégia para 2026 a 2035, que entrou numa nova fase ao adotar uma abordagem integrada dos sistemas agroalimentares que interliga a produção, a agro- industrialização, o comércio, a nutrição, a inclusão, a resiliência e a governação.

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